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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Conversas: Francisco Brito Cruz e a influência do digital na política

 








Na semana em que estreia o documentário ‘O Dilema das Redes’, na Netflix, poucas pessoas são tão adequadas para tratar do tema quanto Francisco Brito Cruz. Com doutorado em Sociologia do Direito pela USP, diretor do InternetLab, ele conhece com profundidade todas as peças deste debate. Como funciona a internet — e as redes sociais —, como é a estrutura jurídica do país, a sociedade brasileira e também seu jogo político. Em entrevista ao editor Pedro Doria, Chico explica os conceitos essenciais do debate e tenta ajudar a compreender qual o tamanho real da interferência das redes na política.



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domingo, 28 de junho de 2020

Stop Hate for Profit

Stop Hate for Profit



On June 17th, we asked companies to act against hate and disinformation being spread by Facebook in our campaign, Stop Hate for Profit. We asked businesses to temporarily pause advertising on Facebook and Instagram in order to force Mark Zuckerberg to address the effect that Facebook has had on our society.  

 

While addressing all of Facebook’s issues and implementing all of our recommendations will take far longer than one month, we wanted to provide clear steps that Facebook could take immediately that would result in real progress. None of these ideas are new, and we hope that Facebook is able to agree and implement the following over the next month: 

 

Accountability

 

1. Establish and empower permanent civil rights infrastructure including C-suite level executive with civil rights expertise to evaluate products and policies for discrimination, bias, and hate. This person would make sure that the design and decisions of this platform considered the impact on all communities and the potential for radicalization and hate.

 

2. Submit to regular, third party, independent audits of identity-based hate and misinformation with summary results published on a publicly accessible website. We simply can no longer trust Facebook’s own claims on what they are or are not doing. A “transparency report” is only as good as its author is independent.

 

3. Provide audit of and refund to advertisers whose ads were shown next to content that was later removed for violations of terms of service. We have documented many examples of companies’ advertisements running alongside the horrible content that Facebook permits. That is not what most advertisers pay for, and they shouldn’t have to.

 

Decency

 

4. Find and remove public and private groups focused on white supremacy, militia, antisemitism, violent conspiracies, Holocaust denialism, vaccine misinformation, and climate denialism. 

 

5. Adopting common-sense changes to their policies that will help stem radicalization and hate on the platform.

 

6. Stop recommending or otherwise amplifying groups or content from groups associated with hate, misinformation or conspiracies to users. 

 

7. Create an internal mechanism to automatically flag hateful content in private groups for human review. Private groups are not small gatherings of friends - but can be hundreds of thousands of people large, which many hateful groups are.

 

8. Ensure accuracy in political and voting matters by eliminating the politician exemption; removing misinformation related to voting; and prohibiting calls to violence by politicians in any format. Given the importance of political and voting matters for society, Facebook’s carving out an exception in this area is especially dangerous.

 

Support

 

9. Create expert teams to review submissions of identity-based hate and harassment. Forty two percent of daily users of Facebook have experienced harassment on the platform, and much of this harassment is based on the individual’s identity. Facebook needs to ensure that their teams understand the different types of harassment faced by different groups in order to adjudicate claims.

 

10. Enable individuals facing severe hate and harassment to connect with a live Facebook employee. In no other sector does a company not have a way for victims of their product to seek help.

 

The above are not sufficient, but they are a start. Facebook is a company of incredible resources. We hope that they finally understand that society wants them to put more of those resources into doing the hard work of transforming the potential of the largest communication platform in human history into a force for good.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Para além das fake news

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YouTube, Facebook,  WhatsApp funcionam sem terem pedido licença

A mais recente versão  do PL 2.630, relatada pelo senador Ângelo Coronel, contém alguns avanços em relação às versões anteriores mas ainda reúne uma soma de muitos problemas. Não se trata mais de um projeto para "combater desinformação"  conforme se definiam as versões anteriores. É um avanço pelo simples motivo de que,  não sendo possível dar uma definição positiva de "desinformação", qualquer lei, a partir daí, seria, na melhor das hipóteses, inócua, na pior, atrabiliária.

Excluindo esse ponto, começam as dificuldades. Há uma enorme resistência entre os pensadores e formuladores de políticas para a internet em reconhecer que o problema não está em seus usuários, mas nos seus intermediários. E, mais que isto, o problema não está na internet propriamente dita, mas nas plataformas sociodigitais, vulgo "redes sociais", que funcionam sobre a internet.

A internet, em si, é um sistema tecnológico que permite conectar, através de equipamentos e protocolos próprios, dois ou muitos pontos em interação. Sobre esse sistema, nas duas últimas décadas, montaram-se poderosas empresas, ditas "plataformas", que passaram literalmente a organizar e comandar essa interação com finalidades comerciais e lucrativas. Em princípio, numa economia capitalista, não deve haver nada contra o comércio e o lucro. Mas como a sociedade não vive só de comércio e lucro, qualquer atividade econômica está submetida a algum tipo de regulação. Até a loja da esquina precisa, no mínimo, de um alvará da prefeitura para funcionar. Mas o YouTube, o Facebook, o WhatsApp funcionam sem terem pedido qualquer licença para isso...

Quando se fala de uma enorme "loja" frequentada corriqueiramente por cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo, ou cerca de 50 a 100 milhões no Brasil, não estamos mais falando da loja da esquina, sequer do conjunto de lojas reunidas num centro comercial. Estamos falando de uma grande cidade, quiçá de um país. As plataformas tornaram-se isso. Nós todos nos encontramos dentro da internet, ou melhor, dentro das suas plataformas, desde o momento em que acordamos e ligamos nossos celulares até o momento em que vamos dormir (isto, se desligarmos os celulares...), assim como também nos encontramos dentro da cidade, mesmo se estivermos guardando distanciamento social sem sair de casa. Por isso, se a vida na cidade é organizada através de suas muitas regulações, inclusive, sublinhemos, as leis de trânsito, a vida nas plataformas (não, na internet) precisa ser também regulada.

Por enquanto, são as plataformas que estão regulando as nossas vidas. Secretamente, opacamente, os seus algoritmos orientam, sem que percebamos, muitas das nossas decisões cotidianas e vigiam – sim, vigiam – cada um de nossos passos. Chega a ser curioso essa gritaria contra o "vigilantismo" quando o maior poder vigilante na nossa sociedade, hoje em dia, é este exercido pelas plataformas. Já existe mesmo farta literatura acadêmica sobre isso. A lei, pois, deve ir para cima delas, não do cidadão.

É mais do que sabido que YouTube, Twitter, Facebook censuram conteúdos. Não é sabido com quais critérios mas, basicamente, eles têm compromissos com os seus anunciantes e, volta e meia, algum conteúdo pode desagradar, por motivos éticos ou outros, a algum anunciante. No momento, porém, que uma empresa de comunicação se põe na condição de filtrar conteúdos que por ela trafegam, essa empresa deixou de ser mero provedor de acesso, tornou-se, por definição, empresa editora. E, no caso, editora por via de algoritmos, sequer por decisão humana...

Reconheçamos, porém, há outra ponta. Um exemplo. Circula pelas plataformas, sem nenhum filtro ou censura, "notícia" de que os hospitais estão matando pacientes, dizendo que morrem de Covid, para vender os seus órgãos. É evidente e odiosa mentira. O objetivo é criar convulsão social. Isto é crime. Se não o for legalmente, deveria passar a ser. Quem replica pode ser facilmente identificado. A fonte original talvez também possa. As plataformas não somente podem rastrear a difusão de mensagens criminosas como podem simplesmente suprimi-las, eliminá-las, de todos os seus servidores, em todo o mundo. A lei, pois, além de muitos outros aspectos necessários à regulação político-econômica dessas plataformas monopolistas estrangeiras, deveria estabelecer muito claramente que elas estão obrigadas a colaborar com as autoridades brasileiras na identificação, rastreamento e punição de atividades criminosas, aqui incluídas as mentiras que visam a desconstituir as autoridades legítimas num estado democrático de direito. Para tanto, não será necessário cadastrar usuário nem quebrar criptografia. A tecnologia da internet permite, muito bem,  às organizações que administram os seus caminhos físicos, isto é, as plataformas, identificar a rota percorrida por qualquer mensagem. Mesmo que essa mensagem tenha tido origem no... Casaquistão.

 Marcos Dantas é professor titular da Escola de Comunicação da UFRJ é  conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil


https://oglobo.globo.com/opiniao/para-alem-das-fake-news-24494678

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

'Temos de proteger a privacidade e a saúde mental das pessoas', diz Mark Zuckerberg


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Em entrevista exclusiva ao 'Estado', presidente executivo do Facebook assume responsabilidades, diz que empresa não tenta influenciar eleições, se defende de acusações de concorrência desleal e projeta futuro da computação com realidade virtual
26/09/2019 | 16h00
 Por Bruno Capelas, Menlo Park (EUA)* - O Estado de S. Paulo

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Polarização política está relacionada ao enfraquecimento do jornalismo, diz especialista

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Daniela Arcanjo
São Paulo

A avalanche de mudanças trazidas pelas redes sociais, o fenômeno das fake news e a mudança no mercado publicitário abalaram o jornalismo. Para a especialista americana Jane Kirtley, o enfraquecimento dos veículos afeta a democracia.

Para Kirtley, que é professora da Universidade de Minnesota, não há uma resposta pronta para resolver a crise no jornalismo, que envolve a negação dos fatos pelo público e ataques de atores políticos a veículos sérios.

“Essa é uma situação perigosa porque, se não podemos concordar com um conjunto básico de fatos, não sei como podemos ter uma discussão sobre como resolver problemas ou avançar o Estado de Direito, a equidade e todas aquelas coisas que são sinais de civilização”, afirma.

A jornalista e advogada está no Brasil para uma série de eventos. Na quinta-feira (2), esteve na Folha, onde concedeu a entrevista a seguir.

A sra. vê soluções para a crise no jornalismo?
Eu acho que enfrentamos muitos problemas. Até quando seremos capazes de permanecer financeiramente viáveis? A segunda questão é: a liberdade da imprensa pode perdurar em uma época em que homens fortes, em muitos países ao redor do mundo, estão levando seus seguidores a desconfiarem e, em alguns casos, a odiarem a mídia? Para a imprensa sobreviver, é preciso que existam leis que a proteja. Pode ser um estatuto, uma emenda constitucional, qualquer coisa, mas tem que existir. O maior problema é que, à medida que os veículos perdem apoio popular, é mais fácil para o governo impor mais restrições.

As pessoas não compartilham fake news apenas porque elas acreditam naquilo, mas porque querem acreditar. Como podemos mudar isso?
Bem, eu não sei. Porque agora é muito fácil encontrar pessoas, sites e instituições que simplesmente confirmam o que você já acredita. E jornalistas estão constantemente em um estado de fazer perguntas. Os bons jornalistas não levam as coisas como garantidas, não importa com quem eles estejam falando.

Alguns políticos usam o termo fake news para classificar a divulgação de qualquer fato que queiram esconder ou de que discordem. A imprensa deve continuar a usar esse termo?
O importante sobre o conceito de fake news é que precisamos definir o que significa. Você acabou de dizer que, para alguns políticos, é algo que os faz parecer malvados ou revela algo que eles não querem que você saiba. Eu definiria notícias falsas como algo que um jornalista ou outra pessoa publica sabendo que não é verdade e o faz deliberadamente, com a ideia de enganar. Na minha experiência, os jornalistas não fazem isso. Eles cometem erros. Eles entendem errado. Isso não é notícia falsa.

A eleição de vários políticos de extrema-direita no mundo está relacionada com as mudanças na mídia?
Acho que sim. Eu sempre hesito em colocar toda a culpa em uma só coisa, porque obviamente há muitos fatores. A economia é um fator enorme. Mas, se você tem uma imprensa altamente partidária e não tem nada que equilibre isso, então criará esse tipo de visão polarizada em que, em última análise, não é suficiente dizer “não concordo com você”. Eu tenho que dizer que você é malvado. Isso é antidemocrático. Alguns políticos contemporâneos estão dizendo a seus seguidores que o mundo vai acabar se não votarem neles. Essa é uma situação muito perigosa para se estar.