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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Abril muda Presidência, Direção Editorial e comando de Veja

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25.02.16



Walter Longo e Alecsandra Zapparoli, assumem, respectivamente, a Presidência e a Direção Editorial da Abril. André Petry é o novo diretor de Redação de Veja em substituição a Eurípedes Alcântara, que segue no Conselho Editorial

A Abril anunciou nesta 5ª.feira (25/2) a mais importante mudança em sua cúpula executiva e editorial desde a morte de Roberto Civita, há quase três anos. Giancarlo Civita deixa a Presidência para dedicar-se exclusivamente à Presidência da Abrilpar, holding da família, e será substituído a partir de 1º/3 pelo publicitário Walter Longo. Victor Civita Neto deixa a Direção Editorial do Grupo, mas continua na Presidência do Conselho Editorial da Abril; no lugar dele entra Alecsandra Zapparoli. Muda também a Diretoria de Redação de Veja, que ficará sob o comando de André Petry – Eurípedes Alcântara, depois de quase 35 anos na revista, 12 dos quais como diretor de Redação, continuará no Conselho Editorial da Abril

Walter Longo terá sob sua responsabilidade as operações de Mídia, Gráfica e Distribuição. Publicitário e administrador de empresas com MBA na Universidade da Califórnia, ele vinha atuando como mentor de estratégia e inovação do Grupo Newcomm – holding de comunicação do Grupo WPP, que inclui as agências Young&Rubicam, Wunderman, Grey Brasil, VML, entre outras. Antes foi diretor regional para a América Latina do Grupo Young&Rubicam e presidente, no Brasil, de Grey Advertising, Wunderman Worldwide, TVA e do Grupo Newcomm Bates.

Alexandre Caldini, que assumiu a Presidência da Editora Abril em julho de 2014, passará a se reportar a Longo, assim como Cláudio Prado, desde novembro na Presidência executiva da DGB, holding de distribuição e logística do Grupo Abri, e Eduardo Costa, diretor da Abril Gráfica.

Alecsandra Zapparoli vinha atuando como diretora editorial de Estilo de Vida, que engloba marcas como Quatro Rodas, Superinteressante, Guia do Estudante, Viagem e Turismo, Saúde e Vip, entre outras. Antes, foi diretora de Redação de Veja São Paulo, onde começou como repórter, e teve passagens por DCI, Estadão e Editora Globo, entre outras. A partir de agora, além de ter uma linha direta com o Conselho Editorial, passa a integrá-lo, ao lado de Victor Civita Neto (presidente), Thomaz Souto Corrêa (vice), Eurípedes Alcântara, Giancarlo Civita e José Roberto Guzzo. Responderá a Walter Longo e terá sob o seu comando André Petry (Veja), André Lahoz (Exame), Paula Mageste (Femininas), Edward Pimenta (Estúdio ABC) e Sergio Gwercman (que deixa Quatro Rodas para assumir o lugar de Alecsandra em Estilo de Vida).

André Petry tem mais de 20 anos de atuação na própria Veja, onde foi editor de Política, chefe da sucursal de Brasília, colunista e correspondente internacional em Nova York, e ultimamente ocupava o cargo de editor especial.

Vale lembrar que dezembro passado a Abril anunciou um aporte de capital da família Civita e fechou um acordo para reperfilamento de sua dívida de curto e médio prazos, operação que, segundo o comunicado da empresa, “permitiu uma redução efetiva do endividamento e equilíbrio em suas finanças, deixando a empresa fortalecida para 2016”.

Por: Redação Jornalistas&Cia

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Produção em parceria com o leitor é tendência para revistas



Evento em São Paulo discute novas tendências para o setor

SÃO PAULO - Na era digital, as editoras de revistas se transformaram em empresas de mídia e hoje trabalham num ciclo de 24 horas durante os sete dias da semana. Estão investindo para conhecer melhor seus consumidores, estimulando a sugestão de ideias por parte deles e criando uma cultura de "coprodução", em que o leitor ajuda na elaboração do conteúdo. Também trabalham para descobrir os melhores modelos de distribuição de conteúdo pelo celular, considerando que dos 7,2 bilhões de habitantes do planeta, 6,1 bilhões possuem um aparelho.

Essas são algumas das tendências que estão na pauta das editoras de revistas e foram discutidas durante o congresso da FIPP, maior associação de revistas do mundo, realizado em outubro passado, em Toronto, no Canadá. Essas ideias foram apresentadas nesta segunda-feira pelo presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e diretor-geral da Editora Globo e da Infoglobo, Frederic Kachar, durante o IX Fórum Aner de revistas, "Em Busca de um Novo Modelo", realizado em São Paulo. Assim como os jornais, as revistas passam por uma revolução digital e procuram novas fontes de receita, além da circulação, como as assinaturas digitais e a realização de eventos.

— O que fazemos de melhor é produzir conteúdo de qualidade, que não é uma commodity. E parte desse conteúdo consegue ser monetizado. Os eventos também não deixam de ser conteúdo e as editoras estão usando sua expertise para criá-los — disse Kachar.

Ele citou o exemplo do jornal americano "The New York Times", que em agosto passado já atingiu a marca de 1 milhão de assinantes digitais. Também lembrou o exemplo do "Wall Street Journal", que trata seus leitores como associados, uma espécie de 'membership'. O WSJ oferece, além da assinatura, uma série de vantagens, como acesso privilegiado a eventos, ao próprio jornal e contato com seus jornalistas.

Em sua apresentação, Kachar destacou a importância que os celulares ganharam no acesso ao conteúdo. Embora, 90% do tempo gasto pelos usuários de celulares seja em aplicativos, as editoras terão que criar uma experiência móvel que corresponda à expectativa dos leitores.

— É preciso investir na criação de sites mobile first (plataforma móvel primeiro) e incrementar a utilização do conteúdo — afirmou Kachar.

Ele citou uma experiência da revista francesa Paris Match criada exclusivamente para o mobile. O leitor recebe por volta de 18h uma espécie de resumo do que aconteceu no dia, com números, fotogaleria, vídeo, slide show, além de notícias. Tudo em apenas três minutos.

Kachar lembrou que é preciso apostar em formatos atraentes, mais agradáveis e menos invasivos nas plataformas digitais, para desestimular os leitores a usarem o chamado 'ad blocking', softwares que evitam que os banners publicitários sejam carregados. Por isso, destacou ele, atualmente o papel do editor de revistas é o de um malabarista, “girando vários pratos ao mesmo tempo”.

- Este profissional deve trabalhar mais próximo à área comercial, deve ser revolucionário ao contar histórias, engajar e monetizar os consumidores, e garantir que o conteúdo flua entre as diversas plataformas — afirmou.

REVISTA MENSAL VIROU SEMANAL NA ITÁLIA

Além do presidente da Aner, também participaram do IX Fórum Aner, nesta manhã, Luca Dini, diretor editorial da Vanity Fair Condé Nast italiana, que contou a experiência de transformar a revista americana mensal numa revista italiana semanal. Ele destacou a importância da interação da revista com o leitor através das redes sociais.

— Aceitamos críticas e sugestões pelo Facebook e pelo Twitter e temos um processo muito interativo. Tratamos nossos leitores como nossos pares. Nossa revista é feita para mulheres, que se interessam por assuntos como acne e o Afeganistão — disse Dini, lembrando que a revista impressa já tem mais de 200 mil exemplares semanais e 1,2 milhão de leitoras. Nas redes sociais, a Vanity Fair italiana é seguida por 1,8 milhão de pessoas.

Os jornalistas Bruno Astuto, colunista da editora Globo e de edições Globo Nast, e André Lahoz, diretor de redação da revista Exame, falaram sobre o papel do jornalista nesta época de revolução digital. Para eles, essa revolução não é inimiga do jornalista. Ao contrário, ela tornou possível as revistas falarem com seus leitores várias vezes no mês, intensificando uma relação que era apenas esporádica. Bruno lembrou que a revista Vogue, por exemplo, tem 1,1 milhão de seguidores no Instagram.

- É uma revolução (digital) positiva, um exercício de renovação - disse Astuto, lembrando que a revista Vogue, por exemplo, já tem 1,1 milhão de seguidores no Instagram.

Pedro Silva, presidente do IVC, que mudou sua marca e agora se chama Instituto Verificador de Comunicação, disse que isso já é um reflexo da necessidade de auditoria de mídia multiplataforma. Silva observou que o instituto já audita dados de acesso a conteúdo em tablets, celulares, vídeos, eventos, newsletters, além do impresso.

ARTE PELO CELULAR

Diretor criativo da Set Experimental, Giuliano Chiaradia, contou sua experiência de ensinar jovens e crianças a fazer arte a partir do celular. O projeto sem fins lucrativos já passou por sete países. Ele observou que, embora ainda não se tenha chegado a um modelo exato de distribuição e monetização de conteúdo pelo celular, já existem várias experiências nesse sentido. Ele lembrou que a revista Time, por exemplo, contratou colaboradores para cobrir a passagem do furacão Sandy apenas por imagens publicadas no Instagram. Segundo ele, existe a possiblidade de contar histórias apenas pelo SMS ou criar novelas para o celular, experiência que virou febre no Japão.

O CEO da editora Caras, Edgardo Martolio, defendeu mudanças na lei trabalhista brasileira para aumentar a produtividade dos jornalistas. Segundo ele, a lei engessa as relações entre trabalhadores e patrões, negando o direito à livre negociação de salários. Segundo ele, o 'home office' facilitaria a vida dos empregados, especialmente em São Paulo, 'onde uma pessoa acorda às 4h30 para chegar às 9h no trabalho'

Nesta tarde, em palestra sobre a estratégia de plano de publicidade no século 21, o diretor de marketing institucional do Itaú-Unibanco, Eduardo Tracanella, disse que momentos de crise não são adequados para se apagar uma marca, mas "fortalecê-la e oferecer outra experiência para ela".

- Embora, durante muito tempo tenha sido possível construir marca com esforços de mídia clássicos, principalmente TV, nos dias de hoje, isso mudou. Não temos mais um tiro certeiro que resolve as coisas - disse o executivo, para quem o desafio maior das marcas, no momento, é se conectar às pessoas "na hora e no lugar certo".

Para Tracanella, são as pessoas que decidem, nos dias de hoje, "o jeito e a forma como vão receber informação. Por isso as marcas precisam estar presentes, em sua opinião, "de forma mais contínua e relevante".

- Um meio não está competindo com o outro. A construção e a conexão com o outro que precisa ocorrer de forma multifacetada - afirmou o executivo.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/negocios/producao-em-parceria-com-leitor-tendencia-para-revistas-18118745#ixzz40R7GYvPI 
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleições 2014 - A última tacada de Fábio Barbosa e da Editora Abril

O amigo liga em pânico: “A imprensa vai acabar com a democracia no Brasil”. Respondo: “É a democracia que vai acabar com a imprensa e implantar o jornalismo”.
A aventura irresponsável de Veja – recorrendo a uma matéria provavelmente falsa para pedir o impeachment de um presidente da República - não se deve a receios de bolivarianos armados invadindo a Esplanada. Ela está sendo derrotada pelo mercado, pelo fato de que, pela primeira vez na história, a Internet trouxe o mercado para o setor fechado, derrubando as barreiras de entrada que permitiram a sobrevida de um jornalismo anacrônico, subdesenvolvido, a parte do país que mais se assemelha a uma republiqueta latino-americana.
É um caso único, de uma publicação que se aliou a uma organização criminosa - de Carlinhos Cachoeira - e continuou impune, fora do alcance do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.
A capa de Veja não surpreende. Há muito a revista abandonou qualquer veleidade de jornalismo.
Acusa a presidente da República Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula de conhecerem os esquemas Petrobras com base no seguinte trecho, de uma suposta confissão do doleiro Alberto Yousseff:
- O Planalto sabia de tudo - disse Youssef.
- Mas quem no Planalto? - perguntou o delegado.
- Lula e Dilma - respondeu o doleiro.
Era blefe.
Na sequência, a reportagem diz:
“O doleiro não apresentou - e nem lhe foram pedidas - provas do que disse. Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o depoente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades”.
Na primeira fase da delação premiada tem-se o criminoso falando o que quer. Enquanto não apresentar provas, a declaração não terá o menor valor. E Veja tem a fama de colocar o que quer nas declarações de fontes.
Ligado ao PSDB do Paraná, o advogado de Yousseff desmentiu as informações. Mas não se sabe ainda qual é o seu jogo.

As apostas erradas da Abril

Golbery do Couto e Silva dizia que a mentira tem mais valor que a verdade. A verdade é monótona, tem uma só leitura. Já a mentira traz um enorme conjunto de informações a serem pesquisadas, as intenções do mentiroso, a maneira como a mentira foi montada.
Daí a importância da capa de Veja: permitir desvendar o que está por trás da mentira.
A primeira peça do jogo é entender a posição atual do Grupo Abril.
Apostas de altíssimo risco só são bancadas em momentos de altíssimo desespero. A tacada da Veja torna quase irresistível a proposta de regulação da mídia e de repor as defesas do cidadão que foram suprimidas pelo ex-Ministrio Ayres Britto, ao revogar a Lei de Imprensa.
Qual a razão de tanto desespero nessa aposta furada?
A explicação começa alguns anos atrás.
No mercado de mídia, o futuro acenava para o advento da Internet e da TV a cabo e para o fim das revistas e do papel. As apostas da Abril foram sempre na direção errada.
Ela montou um dos primeiros portais brasileiros, o BOL, que posteriormente fundiu-se com a UOL. Graças à sua influência política, conseguiu frequências de UHF e canais de TV a cabo.
A editora endividou-se e, para tapar buracos, Civita foi se desfazendo de todas as joias da coroa. Passou os 50% que detinha na UOL para a Folha – por um valor insignificante; vendeu a TV A para a Telefonica.  Associou-se ao grupo sul-africano Naspers, em uma operação confusa, visando burlar o limite de 30% para capital estrangeiro em grupos de mídia, previstos na lei.
Não parou por aí.
Adquiriu duas editoras – a Atica e a Scipionne –, que dependem fundamentalmente de compras públicas, confiando no poder de persuasão dos seus vendedores junto à rede escolar. A decisão do MEC (Ministério da Educação) de colocar todos os livros em uma publicação única, para escolha dos professores, eliminou sua vantagem comparativa.
Aí decidiu investir em cursos apostilados para prefeituras, um território pantanoso. Finalmente, “descobriu” o caminho das pedras, passando a direcionar todas suas energias para a área de educação.
Para tanto, criou uma nova empresa, a Abril Educação, colocou debaixo dela as editoras e os cursos e contratou um executivo ambicioso, Manoel Amorim,  que aumentou exponencialmente o endividamento do grupo, para adquirir cursos e escolas. Foi uma sucessão de compras extremamente onerosas, que deixaram o grupo em má situação financeira. A solução foi vender parte do capital para um grupo estrangeiro. Nem isso resolveu sua situação.
No ano passado, em conversa com especialistas do setor de mídia, Gianca Civita, o primogênito, já antecipava que a editora iria ser reduzida a meia dúzia de revistas e à Veja. Colocara à venda suas concessões de UHF e esperava que algum pastor eletrônico se habilitasse.

O cartel da jabuticaba

A editora viu-se depauperada em duas frentes. Uma, a própria decadência do mercado de revistas; outra, a descapitalização ainda maior para financiar a aventura educacional da Abril.
Além disso, foi vítima do maior tiro no pé da história da mídia brasileira: o “cartel da jabuticaba”.
Um cartel tradicional consiste em um pacto comercial entre competidores visando aumentar os preços e os ganhos de todos. O “cartel da jabuticaba” brasileiro foi uma peça genial (da Globo) em que todos se uniram contra a distribuição de parte ínfima da publicidade pública para a imprensa regional e para a Internet.
Alcançaram seu intento, mas não levaram o butim. A Internet não cresceu mas o resultado foi uma enorme concentração de verbas na TV aberta -- e, dentro dela, na TV Globo.
Poucos meses atrás, o próprio João Roberto Marinho – um dos herdeiros da Globo – manifestava a interlocutores sua preocupação com a concentração da mídia. A Globo jogou em seu favor, óbvio; mas não contava com o despreparo das demais empresas sequer para entender onde estavam seus interesses.
Quando o faturamento do papel minguou, todos pularam para a Internet. Mas a piscina estava vazia graças às pressões que eles próprios fizeram sobre a Secom e as agências.
Hoje em dia, o mercado de TV a cabo passou a disputar acirradamente as verbas publicitárias. Se indagar de um executivo do setor se a disputa é com as revistas e jornais, ele dará de ombros: a imprensa escrita não tem mais a menor relevância; a disputa é com a TV aberta.

A bala de prata de Fábio Barbosa

É esse quadro de crise nas duas frentes que explica a bala de prata de Fábio Barbosa.
Nos últimos meses, Fábio Barbosa contratou o INDG, de Vicente Falconi, para um trabalho de redução de custos da Abril, paralelamente à própria redução da Abril..
Falconi constatou o que o Blog já levantara alguns anos atrás: a estrutura de Veja era superdimensionada para o conteúdo semanal.
Na época, montei um quadro com todas as reportagens de uma edição, estimei o tempo-hora de cada repórter e editor e, no final, mostrava que seria possível entregar o mesmo conteúdo com um terço da redação.
Com metodologia muito mais gerencial, Falconi chegou às mesmas conclusões, resultando daí a demissão de várias pessoas em cargos-chave – inclusive Otávio Cabral, repórter das missões sensíveis da revista, que acabou indo trabalhar na campanha de Aécio.
Apenas amenizou um pouco a queda. Com as duas frentes comprometidas, a Abril entrou em uma sinuca de bico.
Com a morte de Roberto Civita, começou a enfrentar dificuldades crescentes para renovar os financiamentos. Desde o início do ano, os herdeiros de Roberto Civita estão buscando compradores para a outra metade da Abril Educação.
Antes disso, desde o ano passado, decidiram sair definitivamente da área editorial. Mas a legislação não permite à Naspers ampliar sua participação na editora. E, se não teve nenhum corte de verba oficial para suas publicações, por outro lado a Abril jamais encontrou espaço no governo Dilma para acertos e grandes negócios, como uma mudança na legislação sobre capital estrangeiro na mídia..
É nesse quadro dramático, que o presidente do grupo, Fábio Barbosa, tenta a última tacada, apostando todas as fichas em Aécio.

A última chance

A carreira anterior de Barbosa foi no mercado bancário. Foi sucessivamente presidente do ABN Amro, depois do ABN-Real, quando o banco holandês adquiriu o Real; depois do Santander, quando o banco espanhol adquiriu os dois.
No ABN e no Santander foi responsável por uma das maiores operações imobiliárias do mercado. No ABN participou do empréstimo de R$ 380 milhões para a WTorres adquirir o esqueleto da Eletropaulo, na marginal Pinheiros. Seis meses depois, a companhia não tinha mais recursos para quitar o financiamento. Entregou parte do capital aos credores.
Em 2008, ainda na condição de presidente indicado para o Santander, Fábio anunciou a aquisição da torre pelo banco por R$ 1 bilhão. “A aquisição desse imóvel é um marco e demonstra a determinação do Santander em investir para que tenhamos um Banco cada vez mais forte e competitivo”, afirma ele. (http://migre.me/ms7aW).
Atuou no início e no final da operação, assessorado por seu homem de confiança, José Berenguer Neto.
Em pouco tempo começaram a pipocar os problemas da WTorre. Atrasou a entrega da sede do Santander, que ingressou em juízo com pedido de indenização de R$ 135 milhões. A dívida fez com que a WTorre desistisse de lançar ações na Bolsa de São Paulo.
Em outubro de 2010 a obra continuava causando transtorno, sem ser entregue (http://migre.me/ms7Pc)
Em agosto de 2011, Fabio saiu do Santander. O clima azedou quando a direção se deu conta dos problemas criados. O presidente mundial Emilio Botin colocou um homem de confiança como espécie de interventor, levando Fabio a se demitir. Junto com ele saiu José Berenguer Neto, que assumiu um cargo na Gávea Investimentos, para atuar na área imobiliária.
Na época, executivos do banco ouvidos pela imprensa disseram que no ABN Fabio tinha plena liberdade; no Santander, não mais. Fabio deixou o banco sendo elogiado pelo sucessor.
O episódio não causou tanto estardalhaço quanto a tentativa de Barbosa, no comando da Veja, de tentar um golpe de Estado armado com um 3 de paus.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Existe uma crise nos impressos ? Nada a declarar, respondem os jornais

Empresas brasileiras negam que haja crise no setor; segundo sindicato, a portas fechadas, representantes reconhecem que negócios vão mal



Por Camila Rodrigues, Bruno Fonseca, Luiza Bodenmüller e Natalia VianaCirculação de jornais no Brasil segue tendência de crescimento



Os mesmos jornalistas que trabalham no dia-a-dia por transparência em todos os setores da sociedade ficam no escuro quando se trata da indústria em que trabalham. “Eu acho tudo muito estranho, pois, ao mesmo tempo em que acontecem esses passaralhos, somos informados, por meio de mensagens internas, que o número de venda de jornais aumentou, que o site bateu recorde etc. Ou seja, algo está fora da ordem, não!?”, resume um jornalista do Grupo Folha, recentemente demitido, que prefere não ter seu nome revelado.
“O argumento das empresas depende do interlocutor”, diz Paulo Zocchi, do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. “A gente chega numa negociação de campanha salarial, e os jornais sempre dizem que o negócio está indo mal. Mas para o público externo eles falam que está indo muito bem”. Presente em diversas das negociações referentes à atual revoada de passaralhos – demissões em massa de jornalistas – Zocchi descreve que até tem quem admita, na sala de negociações, que o discurso é duplo. “Os caras falam: ‘O que você quer que a gente fale pro mercado? Mas cá entre nós, está indo mal’. É dificílimo saber com detalhes a situação real das empresas”, diz Paulo.
De fato, enquanto anunciava o corte de 24 funcionários, a Folha culpou o “fraco desempenho da economia e seu reflexo na publicidade” pelas demissões; mas dois anos atrás o Grupo Folha celebrava ter triplicado seu faturamento na primeira década deste século, chegando a R$ 2,7 bilhões em 2010 – com um lucro, antes de impostos, de R$ 600 milhões no mesmo ano.
“A situação econômica da Folha é boa, a empresa não tem dívidas”, comentou, na sua coluna, a ombudsman Suzana Singer. Na Abril, a reestruturação – e os cortes, que podem atingir centenas de funcionários – vieram apenas dois meses depois da empresa exibir sua saúde financeira, anunciando receita líquida de R$ 2,98 bilhões em 2012, sendo R$ 1,03 bilhão proveniente de publicidade. A empresa também investiu na área Abril Educação, que absorveu marcas como Ática e Scipione, e o sistema Anglo Vestibulares.
Em seu site, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) também se apresenta otimista: “Publicidade em jornais brasileiros deve aumentar 5% em 2013”, anuncia. “Apesar do pequeno crescimento do PIB em 2012, os investimentos em publicidade em jornal no Brasil devem aumentar 5%, conforme as previsões da Warc, um centro de pesquisa voltado ao levantamento das tendências do mercado publicitário mundial”. Usando outra fonte, a pesquisa Inter-Meios, uma iniciativa do jornal Meio & Mensagem com “os principais meios de comunicação do Brasil”, a ANJ mostra por A mais B que os anúncios em jornais têm aumentado ano a ano – foram de R$ 3,36 bilhões em 2011 para R$ 3,38 bilhões em 2012.
Caso o infográfico não funcione, clique aqui (recomendado para dispositivos Android)
Procurada pela Pública, a ANJ disse que não comenta casos específicos de demissões – e, sobre a famigerada crise nos meios, limita-se a indicar as otimistas análises de seu site. O diretor do Estadão disse que não se pronunciaria sobre o assunto; a Folha de S. Paulo e o Valor Econômico também foram procurados mas não responderam até o fechamento da matéria. Apenas o diretor da Editora Trip – uma editora de médio porte – Paulo Lima, conversou abertamente com a reportagem sobre as 19 demissões ocorridas em sua empresa.
MAS AFINAL, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
A inglesa Susy Young, diretora de estatísticas do centro de pesquisas britânico Warc, é uma das vozes mais confiáveis quando se trata de receita publicitária. Entusiasta do aumento de publicidade – que, em escala mundial, está concentrada na Ásia e na América Latina, contra uma decadência na Europa e nos EUA – ela verifica que não houve queda na publicidade de impressos, mas uma perda de espaço para outros setores. “Em 2012, o que nós previmos foi um crescimento modesto em gastos de anúncios para jornais e revistas. Mas previmos também que os meios impressos iriam perder em termos de fatia, nos gastos publicitários gerais”.
O fato é que, embora digam aos quatro ventos que a crise dos jornais não chegou ao Brasil, os conglomerados estão vendo os anúncios migrarem – de maneira irreversível.
“Existe a crise”, diz – em off – um alto executivo da indústria editorial. “O que não se sabe é dividir entre o que é estrutural e o que é conjuntural”. Embora a circulação dos jornais continue crescendo um pouco – o aumento foi de 2,7% em 2012– ela está sendo “puxada” pelos jornais populares como o Extra, do Rio, e Super Notícias, de Belo Horizonte. Já a circulação de revistas caiu 4,6% em 2012. Quanto à questão “conjuntural”, os jornais reclamam do fraco desempenho da economia – já que, em tempos de crise, os anunciantes recorrem à TV para se livrar dos seus produtos em estoque mais rapidamente. Não que isso seja uma novidade no panorama brasileiro.
“Hoje continua fazendo sentido investir em impressos. Agora, se tiver uma migração de publicidade mais agressiva, é algo que vamos ter que pensar daqui a um tempo”, diz o executivo.  Para ele, a internet, “ao mesmo tempo que democratizou o acesso à informação, está tirando parte do financiamento das publicações, das empresas de comunicação”.
O grande problema são os anúncios online – daí a velha bronca da indústria de notícias com o Google, que tem faturado uma grande parte da publicidade na internet. A briga é feia, e levou alguns dos maiores jornais do país a retirarem seu conteúdo da busca do Google News, exigindo o pagamento de “royalties”. Aos poucos, estão voltando.
Outros sites de buscas diretas de carros ou imóveis, por exemplo, também acabaram pulverizando um mercado que antes era concentrado nas mãos dos poucos grupos de comunicação.

INTERNET SUPEROU JORNAIS ENTRE OS ANUNCIANTES

Segundo um relatório do IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau), a receita publicitária da Internet superou a dos jornais no primeiro trimestre de 2012, tornando-se a segunda mídia com maior receita publicitária no Brasil, depois da TV. Embora uma boa parte desses anúncios vá parar nos grupos de comunicação tradicionais – como no portal UOL, o maior da América Latina, que pretence ao Grupo Folha –, outra gigantesca fatia vai para os sites de busca.
Os dados da IAB apontam que, do total de R$ 4,57 bilhões arrecadados em 2012, R$ 2,2 bi foram investidos em publicidade display (como banners) e R$ 3,82 bilhões em ferramentas de busca – esse último modelo de anúncio cresceu 39%, sendo o que mais cresce nos últimos dois anos.
“Os anúncios em impressos irão decrescer, mas os digitais vão aumentar”, diz Susy. “Olhando os dados de nossas previsões, vejo que o total de ganhos de anúncios com a internet vai superar os meios impressos (jornais e revistas) em 2014”. Mas ela faz uma ressalva: “É difícil falar em termos de declínio de anúncios de jornais, já que muitos deles também têm uma presença digital” – e, portanto, também estão lucrando com a proganda online, mesmo que seja menos que o Google. .
Em resumo, diz o executivo, “o que está acontecendo no mundo é o mesmo que tá acontecendo no Brasil”.

QUEDA MUNDIAL NO NÚMERO DE JORNALISTAS EMPREGADOS

E o que está acontecendo no mundo é claro: os jornais têm optado por reduzir a mão de obra, aumentar a carga de trabalho e, assim, manter os lucros. Segundo a ASNE, Associação Americana de Editores de Notícia, em 2012 havia 40,6 mil jornalistas empregados em redações nos EUA; o número é o menor desde que o levantamento anual passou a ser feito, em 1973, quando havia 43 mil jornalistas empregados. “É um risco que a indústria corre”, diz o executivo, ao ser perguntado sobre o impacto dessas demissões no produto.
Para alguns jornalistas, porém, como Paulo Zocchi, o problema é mais profundo: trata-se da consolidação de um estilo gerencial que privilegia metas ambiciosas e lucros altos. “Estamos vivendo no momento uma certa pressão econômica sobre as empresas. Elas trabalham com um padrão de rentabilidade muito alto hoje, uma rentabilidade de banco. Traçam metas altas e quando ficam abaixo dessa metas está longe de dar prejuízo, mas fazem cortes. Evidentemente isso significa um aumento da exploração do trabalho. Hoje em dia, em relação há 20, 30 anos, o ritmo está muito mais acelerado”. Quando Zocchi consulta os dados da Inter-Meios – os mais confiáveis sobre a indústria – com outros olhos, o que os dados revelam é que “a receita tem aumentado muito mais que o salário dos jornalistas nos últimos 10, 15 anos”.
Para ele, é comum o discurso da indústria atribuir esse novo ritmo à informatização das redações. “É como se isso fosse resultado do avanço da técnica: tem mais tecnologia, é tudo virtual, então se trabalha mais. Na verdade, a empresa se apropria dessa tecnologia que permite unificar funções jornalísticas, e usa isso totalmente voltado para as necessidades dela, para aumentar a rentabilidade. Isso sacrifica as pessoas”.

A VOZ DO DONO E O DONO DA VOZ

No final de maio, a revista “Trip”, que se destaca por produzir conteúdo jovem, demitiu 19 pessoas, o que, segundo o editor e fundador Paulo Lima, representa menos de 8% do total de funcionários. Foram três jornalistas, quatro da área de publicidade, dois designers, quatro da área de produção de moda e ensaio sensual, e o restante de áreas de apoio, como TI (tecnologia da informação) e almoxarifado. Em entrevista à Pública, ele conta que os cortes foram resultado de uma consultoria realizada pela Falconi Consultores de Resultado, uma das principais consultorias de gestão do país. “Por isso que eu digo que essas demissões tem menos a ver com a crise momentânea e mais com um movimento planejado da empresa”, explica o publisher.
Segundo ele, a Trip cresceu em média 30% ao ano nos últimos 10 anos. “Então, é quase inevitável que você termine um ciclo como esse com algumas questões de ineficiência. Vou dar alguns exemplos: a Trip tem ensaio sensuais femininos, a TPM tem ensaios sensuais masculinos e o site também tem uma sessão de ensaios. A gente tinha em um mesmo núcleo três equipes para fazer ensaios sensuais. É evidente que havia um excesso de pessoas para fazer a mesma atividade”. Essa equipe a que se refere é de produção, já que os fotógrafos já eram terceirizados. Para poupar ainda mais recursos, Lima conta que a empresa centralizou as divisões de revistas e de produtos customizados em um só núcleo. Além disso, ele aposta na terceirização. “A forma de fazer conteúdo está mudando. A tendência, como a gente pode ver recentemente com a Record, é terceirizar a produção e trabalhar com produtores independentes. Acho que é esse o processo que a gente está perseguindo. É adequar a nossa gestão ao nosso tempo”.

O FUTURO, INCERTO

A grande maioria dos analistas que tratam do futuro do jornalismo – em especial, nos EUA – fala de “mudança de paradigma”, com o fim da indústria das notícias. Os pesquisadores C.W. Anderson e Emily BelleClay Shirky, da Universidade de Columbia, assumem esse desfecho no relatório “O Jornalismo Pós-industrial: adaptando-se ao presente”:
“Não existe mais uma indústria de notícias. (…) Antes a indústria era mantida pelas condições que determinam o que é uma indústria: métodos similares dentre um grupo relativamente pequeno e coeso de empresas, e uma inabilidade competitiva da produção de todo o resto daqueles que estavam fora deste grupo. Essas condições não são mais verdadeiras”.
Isso não significa, é claro, que o jornalismo em si esteja à beira do precipício. Como diz Paulo Zocchi, a crise ocorre porque, justamente, “o negócio de comunicação está em franca expansão”. “Nada indica, na minha opinião, que o trabalho do jornalista vai acabar. Estamos, em primeiro lugar, lutando para que as condições de trabalho não piorem mais”.
Existe, ao mesmo tempo diversas iniciativas que procuram realizar jornalismo de outras maneiras – como é o caso desta Agência Pública, uma organização sem fins lucrativos – mas, para a maioria dos jornalistas, resta a incerteza de como será o seu próprio futuro. “Eu acho que as pessoas estão vendo que vão ter que se adaptar, mas nem todo mundo, eu inclusive, ainda não sabe exatamente como se encaixar nesta nova realidade. A piada é ‘vou montar um blog e ficar rico’” – brinca uma jornalista da editora Abril que, ainda num cenário de possibilidades restritas, prefere não se identificar para não arriscar seu ganha-pão.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

IAC coloca Newsweek à venda


Após suspender a edição impressa, grupo afirma que vai concentrar suas atenções ao portal Daily Beast



Três anos após comprá-la, IAC quer vender a Neewsweek
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Três anos após comprá-la, IAC quer vender a NeewsweekCrédito: Reprodução
Tina Brown, editora-chefe da Newsweek Daily Beast, e Baba Shetty, CEO do grupo, anunciaram que a revista está oficialmente à venda. Em comunicado aos funcionários emitido na quarta 29, disseram que a empresa vai concentrar esforços no portal Daily Beast.
No comunicado, os executivos ressaltam que as inovações do formato digital de Newsweek chamaram a atenção do mercado e foram elogiadas por empresas como Fast Company, BBC, The Economist e Facebook. “Então porque vender agora?”, questiona o próprio texto, para responder em seguida.
“Simplesmente por foco. Newsweek é uma marca forte, mas suas demandas desviaram a atenção e o foco do Daily Beast”, afirmam, destacando que o site ganhou o prêmio Webby de melhor site de notícias por dois anos seguidos, que o tráfego está aumentando e o índice de anunciantes já cresceu 30% só em 2013. Fontes de mercado dizem que a Newsweek perdeu mais da metade de seus 1,5 milhões de assinantes entre 2012 e o início deste ano.
A decisão é mais um capítulo da turbulenta história recente da revista fundada em 1933. Em 2010, quando já enfrentava a crise, foi adquirida pelo grupo IAC, dono do portal Daily Beast. Em dezembro do ano passado encerrou sua edição impressa, passando a circular nos EUA só em digital, ainda que mantivesse algumas edições internacionais no formato original, como ocorre no Brasil.
Em abril, o presidente executivo do IAC, Barry Diller, admitiu à Bloomberg TV que “foi um erro” ter adquirido a revista e já “não esperava muito” da versão digital. À época, o balanço financeiro de primeiro trimestre já antecipava que as economias com a Newsweek digital não haviam aliviado a receita.  

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Campanha incentiva a circulação auditada de jornais e revistas


Com mais de 6,6 mil publicações, Brasil só tem 451 desse total verificadas


SÃO PAULO — As Associações nacionais de editores de jornais e de revistas (ANJ e Aner), e de anunciantes e de agências de publicidade, lançaram na quinta-feira uma campanha para expandir o número de veículos impressos com a circulação verificada no país. A ação tem como ponto de partida anúncios, que serão veiculados nos principais jornais e revistas do país, falando da importância da aferição da circulação dos veículos para o planejamento e os investimentos publicitários de empresas e governos.
A campanha envolverá também uma ação para tornar o serviço de verificação de circulação mais acessível a jornais e revistas de pequeno porte do interior do país. Existem hoje no Brasil cerca de 650 jornais com circulação diária (com edições em pelo menos quatro dias da semana) e quase 6 mil revistas, dos quais apenas 451 títulos têm seus números de circulação auditados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC).
O Conselho Executivo de Normas-Padrão (Cenp), entidade criada pelos veículos, agências e anunciantes, constituiu uma comissão técnica de mídia especializada para certificar empresas de auditoria que queiram realizar serviços de verificação de circulação.
— Todas as entidades representativas dos meios impressos, anunciantes, agências de publicidade e associações de mídias apoiaram a iniciativa e compreenderam a importância desse passo para que todos tenham acesso a mais veículos com circulação verificada — disse Caio Barsotti, presidente do Cenp.
Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), lembrou que o próprio IVC já vinha criando no país modelos “mais simples” e acessíveis a empresas jornalísticas de menor porte.


Normas do IVC serão usadas na iniciativa

Com as regras, periódicos de menor porte podem atrair maior número de anunciantes

SÃO PAULO.  Segundo Judith Brito, presidente da ANJ, havia uma preocupação com a capacidade financeira das empresas de mídia impressa de menor porte para suportar os custos com auditoria de circulação.

- Trabalhamos, então, para resolver esse problema - explicou Judith, que vê na atuação do Cenp na  capacitação de auditorias para a verificação de circulação "a comprovação da maturidade do mercado  brasileiro de comunicações".

Pedro Silva, presidente do IVC, explicou que o instituto transferiu todo o seu conhecimento de verificação de circulação, que é baseado em normas internacionais, para que o Cenp formulasse um processo próprio de  qualificação de empresas de consultoria.

- Há rigor técnico nessas normas, para que essas consultorias tenham números confiáveis ao mercado - explicou Silva.

Para o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, ainda vai levar um tempo para a  disseminação da verificação de circulação entre os veículos de menor porte. Em sua avaliação, contudo, a  adesão aos serviços de verificação deverá ser significativa, com maior profissionalização nas escolhas de  mídias pelos anunciantes.

- Ter o sistema de auditoria de circulação é algo fundamental para que as agências façam a escolha técnica de circulação de anúncios. É um passo formidável para os mercados regionais do Brasil, mercados menores  onde os veículos impressos terão alternativas para ter sua circulação auditada - afirmou João Roberto Marinho.

As métricas de eficácia são uma exigência cada vez mais comum dos anunciantes, observou Luiz Lara,  presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap). Por isso, é de se esperar um  movimento de adesão de novos veículos às medições de circulação.

- Quando se mede a circulação, se consegue verificar melhor a eficácia do veículo e se conquista a confiança dos anunciantes - disse Lara.- Quando se mede a circulação, se consegue verificar melhor a eficácia do veículo e se conquista a confiança dos anunciantes - disse Lara.