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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A digital dos Bolsonaro no projeto que quer mudar a TV paga (e pode afetar o streaming)

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Filhos do presidente fazem lobby para aprovar texto em tramitação no Senado que beneficia fusão da AT&T e Time Warner. Senador do PT estuda apoiá-lo, se incluir cota de produção nacional para empresas como Netflix


Vídeo de Eduardo Bolsonaro a favor da fusão.
Vídeo de Eduardo Bolsonaro a favor da fusão.
Depois de ver fracassada sua tentativa de pressionar a Agência Nacional de Telecomunicações para que a entidade aprovasse ainda neste ano a compra da Time Warner pela AT&T no Brasil, o Governo Jair Bolsonaro (PSL) aposta agora no Senado uma alternativa que vai beneficiar as duas empresas americanas. Na próxima quarta-feira, a Comissão de Ciência e Tecnologia pretende votar o projeto de lei 3.832/2019, que altera as regras da TV paga no país e suspende a proibição de propriedade cruzada, o que permitiria a fusão de quem produz conteúdo (Warner) com quem o distribui (AT&T, a controladora da Sky). A defesa do negócio das gigantes americanas no Brasil virou uma bandeira aberta do Planalto e, especialmente, do deputado Eduardo Bolsonaro, em campanha para ser o novo embaixador do Brasil nos EUA.
O texto, que se aprovado na comissão vai direto para a apreciação da Câmara, movimenta também as atenções e os lobbies da gigante local, Globo, e suas concorrentes Record, SBT e RedeTV, sócias da programadora de TV a cabo Simba —as últimas cultivam relações mais próximas como os Bolsonaro. Enquanto as nacionais ainda não chegaram a um consenso em pontos da matéria, como a prerrogativa de compra dos direitos de grandes eventos, outro tema embola o debate: a inclusão da Internet, o que pode ter impacto ainda mais amplo.
Caso uma emenda ao texto seja aceita, os canais de streaming, como Netflix e HBO GO, entrariam na lei e seriam equiparados aos canais de TV por assinatura e poderiam ser obrigados a exibir uma cota mínima de produção brasileira. Esse grupo é chamado de over the top (OTT – nomenclatura para transmissão não linear pela Internet). Hoje, os canais por assinatura têm de ter ao menos 3h30 de produção local por semana em sua grade de programação. No caso das OTTs, não está claro como seria essa cota, já que não é possível mensurar a sua grade pela quantidade de horas de transmissão. Tampouco a emenda ao projeto de lei deixa claro como seria feita essa contabilidade.
As iminentes alterações atingem um mercado em queda, o das TVs pagas, que registraram 17,5 milhões de assinantes no ano passado (550.000 assinantes a menos que em 2017) e um ascensão, das OTTs, que supera os 10 milhões no Brasil. Os dados são da Anatel e do mercado. A tendência é que as plataformas digitais superem em poucos anos as TVs por assinatura.
O rastro da família Bolsonaro nessa negociação está no lobby pela aprovação da proposta. O principal articulador para os Governos brasileiro e americano é o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente que deve ser indicado para assumir a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, o que depende ainda da aprovação do Senado. A pedido da gestão Donald Trump, ele chegou a ir pessoalmente à Anatel para angariar apoio à fusão das companhias, já aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
O pedido do deputado foi ignorado por enquanto. Dos cinco conselheiros, dois votaram a favor da união da AT&T com a Time Warner,. Um pediu vistas de 120 dias no processo. Os outros dois ainda não votaram. Em Brasília, Eduardo é visto como um lobista aguerrido em favor do Governo Trump, o que ele nega. Seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), é outro negociador junto aos congressistas na matéria. Flávio conversou com ao menos quatro dos membros da Comissão de Ciência e Tecnologia pedindo votos a favor da mudança legal.
Segundo especialistas, caso o projeto de lei seja aprovado de forma terminativa na comissão do Senado (não precisa passar no plenário) e, posteriormente, na Câmara, o processo que tramita na Anatel será extinto, já que a lei brasileira passaria a autorizar essa união. “Uma lei federal se sobrepõe a uma norma de agência reguladora”, explicou o advogado especialista em fusões e aquisições Paulo Bardella, do escritório Viseu Advogados.

“Tem gente querendo pegar carona”

O relator do projeto de lei na Comissão de Ciência e Tecnologia, senador Arolde Oliveira (PSD-RJ), um aliado de Bolsonaro, diz que as mudanças não são apenas direcionadas para a AT&T. “Queremos apenas destravar o problema da propriedade cruzada e permitir que o país tenha mais investimentos”, afirma.
Já o opositor ao bolsonarismo, Rogério Carvalho (PT-SE), afirma que, caso seja garantida a cota de produção local para as OTTs, a oposição deve votar junto com o Governo. “Desde que a lei da TV paga surgiu, diversos produtores independentes surgiram no país. Queremos que criar um marco para que a produção voltada para a Internet respeite essa produção local”, ponderou Carvalho. Ele é o autor da emenda que pode alterar as regras para as empresas de streaming.
Na opinião do senador Oliveira, contudo, o assunto ainda não está pacificado. “Tem gente querendo pegar carona em um projeto que é simples. Por mim, não mudamos nada de Internet agora”, afirmou. Sua ideia é incluir esse tema em um projeto de lei mais profundo, no qual todos os aspectos das OTTs seriam debatidos, desde a criação de limites de produção até eventuais cobranças taxas. Sairá vencedor do primeiro round dessa batalha quem obtiver ao menos 9 dos 17 votos dos senadores da comissão na próxima quarta.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Netflix começa a ficar sozinha em sua farra de séries

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Anúncio da Disney+ de que oferecerá os episódios de suas séries próprias semanalmente significa a confirmação de uma mudança de tendência


PABLO XIMÉNEZ DE SANDOVAL
Los Angeles 9 SET 2019 - 20:01 BRT

Na era da televisão infinita, a todo momento e à escolha do cliente, quando através das plataformas online é possível ver séries completas apertando um botão, o mundo inteiro esperou pacientemente o domingo 19 de maio, às 20h de Nova York (22h de Brasília), para ver junto o último episódio de Game of Thrones e, todos juntos, explodir as redes comentando-o. O episódio teve 19 milhões de espectadores somente naquele dia nos Estados Unidos. Os seis episódios da temporada geraram uma conversa mundial. A experiência coletiva não foi muito diferente de outros finais legendários da velha televisão, como Dallas, Cheers e Friends.

Os novos jogadores que entram no campo do streaming de vídeo perceberam. Com o surgimento da Disney+, Apple TV+ e outros, nesse semestre começa a guerra para destronar a Netflix. E a primeira batalha, surpreendentemente, é sobre a grade de programação. Durante a última convenção D23 da Disney, os executivos da empresa revelaram que planejam exibir suas principais séries com episódios semanais. Grandes apostas como The Mandalorian (Star Wars) e Loki (Marvel) serão vistas como sempre. Talvez exibam os três primeiros episódios de uma vez e depois o restante semanalmente, como faz o Hulu e às vezes a Amazon.

De acordo com uma nota da Bloomberg de agosto, o serviço de streaming da Apple também planeja fazer o mesmo com suas séries originais. Não há confirmação oficial sobre isso. Na Espanha, a plataforma da Atresmedia também planeja exibir os capítulos semanalmente, ainda que estudem cada caso em particular.

A Netflix revolucionou a televisão de muitas maneiras, mas especialmente em sua decisão de colocar à disposição do espectador as temporadas inteiras das séries, em vez de capítulo a capítulo. O chefe de conteúdo da plataforma, Ted Sarandos, justificou a decisão dizendo que na realidade o público já estava acostumado às maratonas em formato DVD. Era verdade. O público que a Netflix queria ficou anos passando de um para o outro cofres de discos de Família Soprano, The Wire e Breaking Bad que eram devorados em duas semanas. A ficção na televisão estava em pleno boom e os fãs já haviam inventado o binge-watching (maratona) sozinhos. A Netflix a tornou oficial. Exibir de uma vez as temporadas inteiras de House of Cards era natural e lógico frente à velha televisão.

O prime time de sua série favorita já não era das oito às nove em um dia concreto da semana. Era quando você quisesse e durava até você não aguentar mais. E no dia seguinte, outra série. Em 2017, um estudo da Deloitte calculou que 70% dos clientes da Netflix nos EUA faziam maratonas de séries e que a média eram cinco capítulos de cada vez. Na época, começaram até mesmo a sair estudos sobre a falta de sono e consequências à saúde da nova tendência. “Na verdade, nossa concorrência é o sono”, chegou a dizer o CEO da empresa, Reed Hastings. “E estamos ganhando!”, acrescentou.

Mas isso era 2017, uma eternidade. A estratégia da Netflix funcionava quando era o único serviço de streaming com conteúdo próprio. O resto deveria ser visto na televisão tradicional e em DVD. Agora, até a própria Netflix parece estar mudando. Por exemplo, já existem dois programas que estão sendo colocados semanalmente na plataforma: os concursos do The Great British Baking Show (exibido dessa forma originalmente na rede britânica Channel 4) e Rhythm & Flow. Se não o fizesse, parte da emoção das eliminações de concorrentes desapareceria.

A HBO não exibe episódios semanalmente por uma questão estratégica. Não tem outro remédio, porque tem milhões de assinantes em seu canal. “A HBO continua sendo essencialmente um canal linear que está pouco a pouco passando ao digital”, diz o consultor sobre meios digitais Tim Hanlon, do The Vertere Group. “Em qualquer serviço de streaming, a ideia é manter as pessoas assinantes de um mês para o outro. Essa é a verdadeira questão. Porque é fácil assinar, ver o que você quer ver e apagar o serviço depois.”.

A Netflix cativa as pessoas estreando conteúdo novo sem parar. Em seis anos criou uma gigantesca videoteca. Seus competidores produzem muito menos e sua estratégia, por enquanto, parece ser manter os assinantes ligados esperando o próximo capítulo, não a próxima temporada.

O que está sendo definido, diz Hanlon, “é a próxima geração das janelas de exibição”. “A indústria está tentando decifrar qual é o modelo econômico, que não está claro. Acho que realmente depende de qual tipo de programa será, se é uma série original nova ou de videoteca. A forma como as duas coisas são monetizadas é diferente. Na verdade, estão tirando do manual habitual da televisão: encontre um conteúdo que seja novo e que só esteja disponível nesse canal e plataforma”. E depois, “crie uma carência artificial” que faça as pessoas pedirem mais.

Para isso é preciso criar a necessidade no espectador. A HBO criou seu serviço de streaming simplesmente para publicar online os programas à medida que os exibia em seu canal linear. Mas de alguma forma demonstrou que essa é também uma boa maneira de conquistar um impacto maior nas séries, mais conversa, transformá-las em eventos para desfrutar coletivamente. A Netflix precisa gastar milhões em marketing para que suas estreias sejam eventos. Séries como Euphoria e Chernobyl (ambas da HBO) construíram uma audiência semana a semana, enquanto a última temporada de Stranger Things foi uma sensação em julho, mas está praticamente esquecida nas conversas poucas semanas depois.

Com 140 milhões de assinantes em todo o mundo e 60 nos Estados Unidos, a Netflix é o rival a ser batido na guerra do streaming que virá. Hanlon acredita que alguns deixarão a Netflix para assinar outro dos novos serviços, mas em geral “a batalha é pelo número dois”, ou seja, por ser o outro além da Netflix. “A Disney+ tem muitas possibilidades de acabar sendo o número dois, especialmente com o pacote da Disney, mais o Hulu, mais a ESPN”, como será oferecido nos Estados Unidos.

A Disney+, que teve tempo para observar e tomar uma decisão com calma, decidiu que estreará semanalmente os episódios de suas séries. Não precisa se adaptar a nenhum programa linear, como a HBO. Não depende dos anunciantes. É uma decisão que só se explica porque acha que a experiência será melhor e, principalmente, porque enfrenta um gigante e a primeira coisa que precisa é construir uma audiência fiel, que pague mês a mês e se acostume a tê-lo ali. “A chave dos canais tradicionais é conseguir que os clientes se esqueçam de que são assinantes”, diz Hanlon. “Uma maneira de consegui-lo é estreando as séries de acordo com uma grade de emissão”.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Youtube e Hulu aquecem streaming nos EUA

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YouTube e Hulu lançaram ano passado no mercado americano serviços de transmissão de canais de TV por streaming. O primeiro está com 300 mil assinantes e, o segundo, 450 mil. As operadoras de cabo tradicional também vendem seus canais por streaming, e há mais tempo. E estão à frente. A Dish tem 2 milhões de clientes e, a DirecTV, um milhão nesta modalidade. Há uma diferença fundamental. Enquanto as novas, vindas da internet, podem ser canceladas com dois ou três cliques de mouse, clientes dos serviços de TV por assinatura tradicional têm um pouco mais de dificuldade. E acabam desistindo no meio. Neste primeiro momento, tratar mal o cliente é uma vantagem.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Facebook Is Going Hollywood, Seeking Scripted TV Programming

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By Joe Flint and Deepa Seetharaman  
Features Dow Jones Newswires

Facebook Inc. to Hollywood: Let's do lunch.
The social-networking giant is talking to Hollywood studios and agencies about producing TV-quality shows with an eye toward launching original programming by late summer, people familiar with the matter said.
In meetings with major talent agencies including Creative Artists Agency, United Talent Agency, William Morris Endeavor and International Creative Management Partners, Facebook has indicated it is willing to commit to production budgets as high as $3 million per episode, people familiar with the situation say.
That's the price range of high-end cable-TV shows. Facebook is also interested in more moderate-cost scripted shows in the mid-to-high six-figure-per-episode range, these people say. The company will be aggressive about trying to own as much of that content as possible.
The push for TV shows is part of a two-track effort at Facebook to up its game in video and target the tens of billions of ad dollars spent on television.
Facebook also is seeking short-form content, primarily unscripted, that could run for 10 minutes in the Spotlight section for videos, the people familiar with the matter say.
The social network is guaranteeing creators of short-form fare a minimum $5,000 to $20,000 share of ad revenue per episode, a person familiar with the company's strategy said. Companies working on such content for Facebook include BuzzFeed, ATTN and Refinery 29, according to people familiar with the situation.
Facebook declined to comment on specifics of its content plans. In a statement, Vice President of Media Partnerships Nick Grudin said, "We're supporting a small group of partners and creators as they experiment with the kinds of shows you can build a community around -- from sports to comedy to reality to gaming. We're focused on episodic shows and helping all our partners understand what works across different verticals and topics."
Facebook has told people in the industry that late summer is a bit of a moving target for launch. It hopes to target audiences from ages 13 to 34, with a particular focus on the 17-to-30 range. It appears to be seeking shows along the lines of the drama "Pretty Little Liars" on Freeform, the cable channel formerly known as ABC Family, or similar to ABC's "Scandal" and reality hit "The Bachelor," people familiar with the matter say.
Among the shows Facebook already has lined up is "Strangers," a relationship drama aimed at millennials that made its debut at the Sundance Film Festival, and the game show "Last State Standing."
Facebook is willing to take another network's castoffs or "distressed assets," as one entertainment executive put it. The company is nearing a deal for the family comedy "Loosely Exactly Nicole," which Viacom's MTV canceled earlier this year after one season. An executive familiar with the show said its budget was in the $1 million-per-episode range.
"Loosely Exactly Nicole" is near and dear to Mina Lefevre, who developed it while at MTV and now heads Facebook's development effort, reporting to Ricky Van Veen, founder of the website CollegeHumor, who joined Facebook last year.
Facebook has told people it wants to steer clear of shows about children and young teens as well as political dramas, news and shows with nudity and rough language.
Facebook enters a bustling TV scene where old and new players are creating a staggering amount of original programming, making it hard for even good shows to break through. Last year there were more than 455 scripted shows on TV.
Compared with digital players such as Netflix Inc., Amazon.com Inc. and Hulu, which have been in TV for years now and have well-stocked pipelines of original programming, Facebook is late to the game. Apple Inc. is also hunting for original TV programming and just hired two top executives from Sony Corp.'s TV studio.
The longer-form scripted shows on Facebook are expected to run no more than 30 minutes and will carry ads. A potential challenge for Facebook is Hollywood's desire to own much of its content. Typically, studios and producers effectively rent their shows to networks through licensing deals, and are reluctant to part with rights to shows in perpetuity.
The entertainment industry is eager to see if Facebook can translate the data it has on tastes and habits of nearly two billion monthly users into insights that make for more popular television.
Facebook is expected to spread out the release of its episodes, in the traditional fashion, rather than dropping an entire season at one time, as Netflix and Amazon do, the people familiar with the matter say. Facebook sees its platform as an in-house water cooler of sorts, ideal for building a social community around shows.
In another move that will distinguish it from Netflix and Amazon, Facebook is also telling Hollywood it will share viewership data with them.
"Facebook is saying, 'We're going to be completely transparent,' " one agent said. " 'You'll share in our ad dollars, our profits will be your profits, you will get all the data.' It's a humongously different mind-set."
--
Jack Marshallcontributed to this article.
Write to Joe Flint at joe.flint@wsj.com and Deepa Seetharaman at Deepa.Seetharaman@wsj.com
(END) Dow Jones Newswires

segunda-feira, 29 de maio de 2017

War machine is your sneak peek at Netflix’s blockbuster future

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War Machine