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domingo, 24 de maio de 2020

Listen, Watch, Learn: Peru's school system takes to the airwaves

Mundo Das Marcas: AL JAZEERA

A look at Aprendo en Casa, Peru's education-from-home TV show that covers school curricula for children in lockdown.


March 16, 2020, was the day Peruvian parents, teachers, and students had been preparing for - the beginning of the new school year.
But on March 15, the president appeared on national TV to declare a state of emergency and a strict nationwide lockdown.
"One day I got a call from the chairman of the network," Fatima Saldonid, a journalist and newsreader on the public broadcaster, TV Peru, told The Listening Post's Meenakshi Ravi. "He told me schools were being shut, and the Education Ministry had asked us to produce an education-from-home programme. Then he said, 'you're going to be one of the presenters'. Well, I like a challenge, so I said, 'Let's do it!'"
To call it a "challenge" would be an understatement; Aprendo en Casa (I Learn at Home) aims to put on air the core syllabus of Peru's primary and secondary school curricula, amounting to six hours of TV programming every weekday. While other countries have experimented with delivering classes to children online, authorities in Peru knew this was not an option for a country where more than 40 percent of the population does not have internet access.
"Television is one of the most used mediums," explains Diana Marchena, planning coordinator at Peru's Ministry of Education. "The internet doesn't have the same reach here as television, so we were determined that a child's progress must not depend on whether they have access to the internet."
To ensure Aprendo en Casa could reach as many children in the country as possible, the government coordinated closely not only with TV Peru, but with private channels and radio stations as well.
"No one could have guessed this sort of thing could happen," says Ernesto Cortes, general manager of the RPP Group, a private network of TV channels and radio stations that are helping to broadcast Aprendo en Casa.
"I can't recall a situation in which, for the shared goal of public education, both private and public media have united... I think it's the first time for something of this magnitude."
The show has proven to be a hit, quickly becoming one of the most-watched TV programmes in Peru. It has provided schoolteachers across the country with a vital resource with which to maintain the progress of their students.
"Watching the TV broadcasts, I am struck by how dynamic the presenters are!" says Victor Zapata, a schoolteacher in the capital, Lima. Every day, he tells his students to watch the show and assigns tasks based on the broadcast. "TV has lots of resources, and they are making the most of them. A teacher in a classroom does not have such resources. Of course, if I had them, I'd use them gladly!"
But some have struggled to benefit.
"The children I teach have nowhere near the same resources that children in cities have," says Marlith Norabuena, a teacher in rural Peru. "For example, when it rains or there are changes in the weather, the TV, radio and internet signals - which are already very weak - just stop working altogether."
While the limitations of the government's strategy have highlighted deep structural inequality in the country, the success of Aprendo en Casa has demonstrated the power of the media, both public and private, to improve prospects for young people in Peru.
"With Aprendo en Casa we're at the start of a new process," says Saldonid. "We have an opportunity to take a fresh look at education ... We have a great chance to create the kind of society we aspire to. But to get there, we need to work from the ground up. And society's foundations are its children."
Produced by: Meenakshi Ravi, Luciano Gorriti and Ahmed Madi
Contributors:
Ernesto Cortes - General manager, RPP Group
Diana Marchena - Planning coordinator, Ministry of Education, Peru
Victor Zapata - Lima-based secondary school teacher
Fatima Saldonid - Presenter, Aprendo en Casa and broadcaster, TV Peru
Marlith Norabuena - Rural school teacher

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Netflix começa a ficar sozinha em sua farra de séries

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Anúncio da Disney+ de que oferecerá os episódios de suas séries próprias semanalmente significa a confirmação de uma mudança de tendência


PABLO XIMÉNEZ DE SANDOVAL
Los Angeles 9 SET 2019 - 20:01 BRT

Na era da televisão infinita, a todo momento e à escolha do cliente, quando através das plataformas online é possível ver séries completas apertando um botão, o mundo inteiro esperou pacientemente o domingo 19 de maio, às 20h de Nova York (22h de Brasília), para ver junto o último episódio de Game of Thrones e, todos juntos, explodir as redes comentando-o. O episódio teve 19 milhões de espectadores somente naquele dia nos Estados Unidos. Os seis episódios da temporada geraram uma conversa mundial. A experiência coletiva não foi muito diferente de outros finais legendários da velha televisão, como Dallas, Cheers e Friends.

Os novos jogadores que entram no campo do streaming de vídeo perceberam. Com o surgimento da Disney+, Apple TV+ e outros, nesse semestre começa a guerra para destronar a Netflix. E a primeira batalha, surpreendentemente, é sobre a grade de programação. Durante a última convenção D23 da Disney, os executivos da empresa revelaram que planejam exibir suas principais séries com episódios semanais. Grandes apostas como The Mandalorian (Star Wars) e Loki (Marvel) serão vistas como sempre. Talvez exibam os três primeiros episódios de uma vez e depois o restante semanalmente, como faz o Hulu e às vezes a Amazon.

De acordo com uma nota da Bloomberg de agosto, o serviço de streaming da Apple também planeja fazer o mesmo com suas séries originais. Não há confirmação oficial sobre isso. Na Espanha, a plataforma da Atresmedia também planeja exibir os capítulos semanalmente, ainda que estudem cada caso em particular.

A Netflix revolucionou a televisão de muitas maneiras, mas especialmente em sua decisão de colocar à disposição do espectador as temporadas inteiras das séries, em vez de capítulo a capítulo. O chefe de conteúdo da plataforma, Ted Sarandos, justificou a decisão dizendo que na realidade o público já estava acostumado às maratonas em formato DVD. Era verdade. O público que a Netflix queria ficou anos passando de um para o outro cofres de discos de Família Soprano, The Wire e Breaking Bad que eram devorados em duas semanas. A ficção na televisão estava em pleno boom e os fãs já haviam inventado o binge-watching (maratona) sozinhos. A Netflix a tornou oficial. Exibir de uma vez as temporadas inteiras de House of Cards era natural e lógico frente à velha televisão.

O prime time de sua série favorita já não era das oito às nove em um dia concreto da semana. Era quando você quisesse e durava até você não aguentar mais. E no dia seguinte, outra série. Em 2017, um estudo da Deloitte calculou que 70% dos clientes da Netflix nos EUA faziam maratonas de séries e que a média eram cinco capítulos de cada vez. Na época, começaram até mesmo a sair estudos sobre a falta de sono e consequências à saúde da nova tendência. “Na verdade, nossa concorrência é o sono”, chegou a dizer o CEO da empresa, Reed Hastings. “E estamos ganhando!”, acrescentou.

Mas isso era 2017, uma eternidade. A estratégia da Netflix funcionava quando era o único serviço de streaming com conteúdo próprio. O resto deveria ser visto na televisão tradicional e em DVD. Agora, até a própria Netflix parece estar mudando. Por exemplo, já existem dois programas que estão sendo colocados semanalmente na plataforma: os concursos do The Great British Baking Show (exibido dessa forma originalmente na rede britânica Channel 4) e Rhythm & Flow. Se não o fizesse, parte da emoção das eliminações de concorrentes desapareceria.

A HBO não exibe episódios semanalmente por uma questão estratégica. Não tem outro remédio, porque tem milhões de assinantes em seu canal. “A HBO continua sendo essencialmente um canal linear que está pouco a pouco passando ao digital”, diz o consultor sobre meios digitais Tim Hanlon, do The Vertere Group. “Em qualquer serviço de streaming, a ideia é manter as pessoas assinantes de um mês para o outro. Essa é a verdadeira questão. Porque é fácil assinar, ver o que você quer ver e apagar o serviço depois.”.

A Netflix cativa as pessoas estreando conteúdo novo sem parar. Em seis anos criou uma gigantesca videoteca. Seus competidores produzem muito menos e sua estratégia, por enquanto, parece ser manter os assinantes ligados esperando o próximo capítulo, não a próxima temporada.

O que está sendo definido, diz Hanlon, “é a próxima geração das janelas de exibição”. “A indústria está tentando decifrar qual é o modelo econômico, que não está claro. Acho que realmente depende de qual tipo de programa será, se é uma série original nova ou de videoteca. A forma como as duas coisas são monetizadas é diferente. Na verdade, estão tirando do manual habitual da televisão: encontre um conteúdo que seja novo e que só esteja disponível nesse canal e plataforma”. E depois, “crie uma carência artificial” que faça as pessoas pedirem mais.

Para isso é preciso criar a necessidade no espectador. A HBO criou seu serviço de streaming simplesmente para publicar online os programas à medida que os exibia em seu canal linear. Mas de alguma forma demonstrou que essa é também uma boa maneira de conquistar um impacto maior nas séries, mais conversa, transformá-las em eventos para desfrutar coletivamente. A Netflix precisa gastar milhões em marketing para que suas estreias sejam eventos. Séries como Euphoria e Chernobyl (ambas da HBO) construíram uma audiência semana a semana, enquanto a última temporada de Stranger Things foi uma sensação em julho, mas está praticamente esquecida nas conversas poucas semanas depois.

Com 140 milhões de assinantes em todo o mundo e 60 nos Estados Unidos, a Netflix é o rival a ser batido na guerra do streaming que virá. Hanlon acredita que alguns deixarão a Netflix para assinar outro dos novos serviços, mas em geral “a batalha é pelo número dois”, ou seja, por ser o outro além da Netflix. “A Disney+ tem muitas possibilidades de acabar sendo o número dois, especialmente com o pacote da Disney, mais o Hulu, mais a ESPN”, como será oferecido nos Estados Unidos.

A Disney+, que teve tempo para observar e tomar uma decisão com calma, decidiu que estreará semanalmente os episódios de suas séries. Não precisa se adaptar a nenhum programa linear, como a HBO. Não depende dos anunciantes. É uma decisão que só se explica porque acha que a experiência será melhor e, principalmente, porque enfrenta um gigante e a primeira coisa que precisa é construir uma audiência fiel, que pague mês a mês e se acostume a tê-lo ali. “A chave dos canais tradicionais é conseguir que os clientes se esqueçam de que são assinantes”, diz Hanlon. “Uma maneira de consegui-lo é estreando as séries de acordo com uma grade de emissão”.

domingo, 27 de agosto de 2017

'Game of Thrones' revigorou a experiência comunitária de ver TV

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Coluna Maurício Stycer

Mais do que uma série de muito sucesso, "Game of Thrones" está aí para nos lembrar de que a TV tradicional ainda tem algumas armas poderosas na luta contra as mudanças impulsionadas pela revolução digital. E nem estou me referindo ao dragão que virou zumbi no final do penúltimo episódio desta temporada.

O programa da HBO mostra que o hábito de ver televisão à moda antiga permanece forte. Por "à moda antiga" me refiro ao compromisso de se sentar diante do aparelho no dia e na hora estabelecidos pelo canal. A batalha de Jon Snow e seu Esquadrão Suicida contra o exército de mortos-vivos comandado pelo Rei da Noite foi vista por 10,24 milhões de fãs no último domingo (20) nos Estados Unidos.

Só para ter uma ideia, a primeira temporada da série, lançada em 2011, teve média de 2,52 milhões de espectadores ao vivo por episódio nos EUA. A segunda, de 3,8 milhões. Crescendo ano após ano, o último episódio da temporada de 2016 foi visto por 8,9 milhões de pessoas na hora em que foi exibido.
Friso o "ao vivo" porque a audiência hoje leva em conta também os números registrados por quem grava os episódios para ver depois e os acessos aos aplicativos on-line. No caso de "Game of Thrones", o número total por episódio mais que dobra sete dias depois da exibição original.

Ainda assim, é preciso tirar o chapéu para a HBO por revigorar a experiência "comunitária" de assistir televisão. Não mais na sala de casa, mas nas redes sociais. Cada episódio de "Game of Thrones" gera enorme burburinho no Twitter e em toda uma mídia satélite à TV, que produz conteúdo em tempo real.
O canal foi muito competente em sua estratégia nas mídias sociais, produzindo material para os fãs nos longos intervalos entre o fim de uma temporada e o início de outra. Entre 2011 e 2016, foram apenas dez episódios por ano –em 2017, menos ainda: sete. Outros sete ficaram guardados para 2018.

O programa tem hoje cerca de 33 milhões de fãs nas principais redes sociais –a metade foi conquistada nas últimas três temporadas.
Uma outra questão que o sucesso de "Game of Thrones" levanta diz respeito à imagem da HBO.




A série mais popular de sua história é justamente aquela que subverte totalmente a lógica da programação do canal –quase inteiramente voltada para temas realistas, que discutem questões contemporâneas, normalmente com um ponto de vista progressista.

Como escrevi aqui em abril, no livro "The HBO Effect", lançado em 2014, o professor e crítico Dean J. DeFino reconhece que a aposta nesta série com um pé no mundo mágico pode parecer "oportunismo", uma forma encontrada pelo canal para sobreviver em um momento de muitas mudanças no mercado.
Ainda assim, DeFino enxerga em "Game of Thrones" pontos de contato com o histórico de séries da HBO, como personagens com moral ambígua, ambição narrativa e produção de altíssima qualidade, que dialoga com as novas gerações. Pode ser.

Mas o penúltimo episódio desta temporada mexeu com a convicção de muitos fãs. Ao costumeiro banho de sangue e às situações forçadamente enigmáticas, somaram-se uma sucessão de cenas absurdas, sem lógica alguma, e altas doses de sentimentalismo, que lembraram novelas brasileiras.

O destino do dragão que virou zumbi será conhecido neste domingo. Qualquer que seja o desfecho dessa trama, no entanto, a sétima temporada de "Game of Thrones" deixa a lição de que a TV tradicional está viva e forte. 

domingo, 20 de agosto de 2017

A relação carnal entre o governo Temer e emissoras de TV

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Por João Filho

O MERCADO DELIROU quando Michel Temer anunciou sua equipe econômica logo após a tomada da presidência da República. Um economista da Goldman Sachs chegou a dizer que estava sendo montando “um verdadeiro dream team de gente muito qualificada e com experiência muito relevante e rica.”
Miriam Leitão, colunista global e fã número 1 do “dream team”, dizia que este era o ponto forte do governo e não se cansou de elogiar as estrelas que comandariam a economia brasileira. Fernando Henrique Cardoso comemorava o fato de que finalmente tínhamos “um governo que tenta pôr a casa em ordem”.
Michel Temer também passou boa parte do governo jogando com a carta da economia em declarações públicas. Para tirar o foco da lama na qual patina, dizia à exaustão ter responsabilidade com a economia do país, chegando ao cúmulo de anunciar o fim da recessão.

Acabou a recessão! Isso é resultado das medidas que estamos tomando. O Brasil voltou a crescer. E com as reformas vai crescer mais ainda.

Pois bem. Henrique Meirelles, o capitão do dream team, anunciou essa semana um rombo de R$159 bilhões nas contas públicas para 2017 e 2018. O sonho virou pesadelo. Miriam Leitão parece que ficou bastante decepcionada e admitiu que Temer pode “entregar ao país um número muito pior do que o pior momento do governo Dilma.” Um espanto!
Para compensar o rombo, o governo intensificará ainda mais seus esforços na aprovação da reforma da Previdência. A coluna Painel da Folha informou na última quarta-feira que Temer tem se reunido com emissoras de TV para pedir apoio, como se preciso fosse:
Este dream team midiático está alinhadíssimo ao governo, principalmente no que diz respeito às reformas, estamos carecas de saber. Já não nos escandalizamos com o fato de concessões públicas estarem sendo utilizadas para defender interesses privados e sufocar qualquer debate sobre a reforma da Previdência, um tema de grande importância para o futuro do país.
Por essa pauta em comum, até a Globo voltou a se reunir com Temer. A empresa parece ter se conformado com a derrota no braço de ferro depois do arquivamento da denúncia contra o presidente na Câmara.
Essa agenda não é novidade. Encontros do governo com representantes de grandes grupos de mídia só não são mais frequentes que as reuniões entre Temer e Gilmar Mendes fora da agenda.
Em 2015, durante o governo Dilma, as emissoras tiveram cortes drásticos no recebimento de verbas publicitárias. No total, foram cortados R$ 591,5 milhões, uma queda de 34% em relação a 2014. A TV Globo foi a que mais sofreu, perdendo R$ 206,3 milhões em propagandas. O SBT foi a segunda emissora mais prejudicada, passando de R$ 172,7 milhões em 2014 para R$ 115,4 milhões em 2015 , uma queda de 33%.
Desde o início do seu governo, Temer vem mantendo uma relação frutífera com grandes grupos de mídia, especialmente os detentores de emissoras de TV, que ainda são a principal fonte de informação dos brasileiros. A seguir, tentarei traçar um resumo histórico, levantando os principais episódios dessa relação que parece mais uma parceria público-privada.
junho 2016 — logo no primeiro mês de governo, Temer aumentou em 50% os gastos em publicidade em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse aumento se refere a todos os tipos de mídia, não apenas às emissoras de TV.
dezembro 2016 — quando se iniciava especulação sobre sua queda, Temer convidou João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, para um jantar no Palácio do Jaburu e se queixou do tom negativo do noticiário na cobertura da Lava Jato. “Eles noticiam caixa 2 como se fosse homícidio”, teria dito um integrante do Planalto.
março 2017 — Temer sanciona sem quase nenhum veto a MP 747, que, apesar de ser apresentada como medida desburocratizadora, na prática confere ainda mais liberdade aos grandes empresários de rádio e TV. Ela confere anistia nos prazos de renovação de outorgas, libera a troca dos proprietários sem a necessidade de autorização do governo, e exclui do texto da lei a necessidade de cumprimento de “obrigações legais e contratuais” e o atendimento “ao interesse público”. A medida foi comemorada pela Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV) — presidida por Paulo Tonet, executivo da Globo — como a “maior vitória dos últimos 50 anos”.
Temer e Kassab são aplaudidos por Paulo Tonet, presidente da Abert e executivo da Globo, durante cerimônia da lei que beneficiou os grandes empresários de mídia. (Foto: Beto Barata/PR)
abril 2017 — enquanto anuncia cortes que prejudicam os mais pobres, Temer vira Sílvio Santos e passa a jogar dinheiro para o alto perguntando para os empresários de mídia “quem quer dinheiro?”. Todos os veículos de comunicação que aderiram à campanha a favor da reforma da Previdência ganharam verbas de publicidade. Locutores e apresentadores populares foram recrutados para explicar a reforma sob um olhar governista. Os agraciados pelas verbas foram indicados por deputados e senadores.
— Temer se encontra com Sílvio Santos. No dia seguinte, o SBT passa a veicular mensagens aterrorizando a população sobre a urgência da reforma. Outro apresentador popular da emissora, Ratinho, inicia intensa campanha pelas mudanças propostas por Temer para a Previdência.
maio 2017 — logo após a Globo pedir expressamente a renúncia de Temer em editorial, Moreira Franco se reuniu com João Roberto Marinho na tentativa de acertar uma trégua, mas não obteve sucesso.
— a TV Band, que teve 1129% de aumento no recebimento de verbas publicitárias, publicou um editorial vergonhosamente chapa-branca logo após a divulgação dos áudios das conversas entre Temer e Joesley: “o Brasil continua precisando seguir o seu rumo – finalmente claro e eficiente – adotado pelo atual governo, depois de anos de insensatez. O país quer seguir adiante e não abre mão de persistir na recuperação já iniciada da economia e dos empregos. Esclarecidas todas as dúvidas, a Band espera e acredita que possa o presidente Temer dar sequência às medidas que, de fato, atendam os interesses dos brasileiros”.
junho 2017 — Grampos mostraram Aécio Neves e Moreira Franconegociando com alto executivo da Record uma entrevista com Temer em troca de um patrocínio da Caixa. Tudo feito com a anuência do presidente.
julho 2017 — diferente do que ocorreu no dia da votação pelo impeachment de Dilma na Câmara, nenhuma emissora além da Globo transmitiu a votação em que foi arquivada a denúncia contra Temer.
Regada por jantares, telefonemas, MPs, editoriais, verbas publicitárias e algumas rusgas, a relação de Temer com a grande mídia é carnal e compromete a liberdade de imprensa. Aproveitando a atual promiscuidade das instituições brasileiras, talvez seja o caso de oficializar as grandes empresas de mídia como o quarto poder, que não terá nada de moderador.
Me parece que essa nova rodada de reuniões com diretores das emissoras noticiada pela Folha é apenas para fidelizar o relacionamento e traçar novas estratégias para a aprovação de uma reforma que não será fácil. É uma reunião apenas para “manter isso aí, viu?”.

domingo, 2 de julho de 2017

Al-Jazeera, insurgent TV station that divides the Arab world, faces closure

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The network has raised political awareness across the Middle East. No wonder Qatar´s conservative enemies want it shut down


The al-Jazeera studios in Doha.

 The al-Jazeera studios in Doha. Photograph: Naseem Zeitoon/Reuters

On Monday a bold and controversial experiment in Middle Eastern media and politics may be abruptly brought to an end. Al-Jazeera – once heralded as the beacon of free Arab media that broke the hegemony of the western networks and reversed the flow of information from east to west for the first time since the middle ages – faces closing its doors for good.
On 23 June, Saudi Arabia, the United Arab Emirates, Bahrain and Egypt subjected Qatar to unprecedented diplomatic and economic sanctions, followed by an aggressive blockade and threats of further action if Qatar fails to meet a list of 13 demands, one of which is to shut down the al-Jazeera network.

If Doha capitulates – and there are no signs it will – it will effectively have lost its sovereignty and become a vassal state of Saudi Arabia and the UAE. Yet defying the deadline could lead to regime change in Qatar, or even war.
Whatever happens, it is a credit to al-Jazeera that, 21 years after its launch, it is still so disruptive and challenging to those in power. Few other media outlets can claim to be so influential. But al-Jazeera is not like other broadcasters. It is a unique phenomenon which, since it started broadcasting in 1996, has revolutionised the Arab media, and in 2010 played a major role in bringing about a real political revolution across much of the Arab world.
Before al-Jazeera started broadcasting, Arab television news was totalitarian drivel. The news chiefly focused on what the sheikh, emir or president was doing that day, some news about his heir, and a puff piece about how lucky the nation was to have such heroic father figures. Al-Jazeera blew all this away, allowing all kinds of previously banned voices to be heard, from the Israelis and Muammar Gaddafi to Chechen rebels, the Taliban and Osama bin Laden.
In its glory days, Arab cities would go noticeably quieter when Dr Faisal al-Qassem’s The Opposite Direction show came on air, and the network’s long list of scoops includes its coverage of Operation Desert Fox in Iraq in 1998, a post-9/11 interview with bin Laden, and the US-led invasion of Afghanistan, when al-Jazeera was the only TV network present in the country and for a few weeks became news agency to the world.
Osama bin Laden in a recording broadcast by al-Jazeera a month after 9/11.
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 Osama bin Laden speaks from an undisclosed location in a recording broadcast by al-Jazeera a month after 9/11. Photograph: AP
Al-Jazeera was the first Arab channel to introduce proper investigative journalism and the first to entertain all kinds of previously off-limits guests on its talk shows, tackling controversial topics such as suicide bombing and the existence of God. Such iconoclasm demolished social, political and religious taboos and set a new standard of reporting in the region. It introduced concepts like democracy and human rights and drastically pushed back the boundaries of free speech.

It also deeply disturbed other governments in the region since none of them, with the exception of post-revolutionary Tunisia, enjoys a popular democratic mandate and they fear anything that might weaken their grip on power. A stream of never-ending diplomatic crises kicked off between Qatar and every other country in the region except Oman, as well as many non-Arab nations. The network’s myriad enemies used every trick in the book to try to shut it down, from arresting correspondents and closing bureaus to deporting family members of employees, harassing potential advertisers, launching frivolous lawsuits and, in the case of the US, bombing its offices twice and killing members of its staff.

After years of failing to make an impact, Arab governments finally realised that the only way to deal with al-Jazeera is to beat it at its own game, which is why in 2003 Saudi Arabia started arch rival al-Arabiya TV. Since no reliable viewing data is available we cannot know for sure which of the two is the more popular today. Despite al-Jazeera currently being banned in Egypt – the most populous Arab country – arguably it is still al-Jazeera, but naturally al-Arabiya disputes this.
It is important to remember that al-Jazeera is not the only bone of contention between Qatar and its neighbours. Saudi Arabia and Qatar may be the world’s only two Wahhabi states, but they also have numerous historical and ideological differences, as evidenced by the list of 13 demands. Al-Jazeera is on the list because it is such a powerful symbol of Qatar and the most visible manifestation of Qatari policymaking. But there is a deeper reason, which for westerners to understand they must consider that al-Jazeera has two faces – one Arabic and one English – and it is the Arabic face that creates all the problems in Qatar’s neighbourhood.


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 ‘We call on all governments to respect media freedoms’: al-Jazeera on Saudi demands for its closure – video
The English face of al-Jazeera is one westerners have grown familiar with: the al-Jazeera English channel and website, high quality news and sophisticated documentaries focused on the developing world. Compared with alternative English-language international news channels, such as BBC World, CNN International, France 24, and Russia Today, most observers agree al-Jazeera English scores highly.
The biggest failure of al-Jazeera’s English language operation so far has been its inability to crack the US market, but even the BBC struggles there and this is probably more a reflection on the level of sophistication of the average US viewer, rather than al-Jazeera’s output. In the UK, where we are comparatively spoilt for quality media, AJE is widely regarded as one of the leading broadcasters, a worthwhile alternative to the BBC, Sky or Channel 4.
Beyond also being a 24-hour news channel, al-Jazeera Arabic (AJA) is a very different beast in terms of language, content and frame of reference to al-Jazeera English. This is hardly surprising given that they are aimed at entirely different audiences.
What makes Qatar’s neighbours uncomfortable about AJA is the channel’s success in forging a new political awareness among Arabs and raising issues, such as social justice and human rights. What they find particularly distasteful is the widely propagated view, shared by the Qatari leadership, that sooner or later Islamist groups, such as the Muslim Brotherhood and Hamas will come to power across the whole region, propelled either by revolution or democratic elections.
Since this is also an issue of concern for Israel and many others in the west, it is a point Qatar’s Arab neighbours have focused on, although since Hamas is popular with the Arab public it was not named in the list of demands.
Given that on the few occasions Sunni Arab countries have been able to hold free and fair elections Islamist parties have usually won, even though they are not often allowed to take or hold power for long, Qatar’s assumption that one day they will come to power is not unrealistic. But for Qatar’s neighbours it is heretical.
The Arab regimes persecuting Qatar today – the counter-revolutionary axis in the region – are all vulnerable to being overthrown by popular revolution and replaced by Islamist groups, so seeing these same groups presented as legitimate political opposition on al-Jazeera and being allowed to agitate for political change represents a clear existential threat.
The counter-revolutionary axis expends significant resources suppressing and demonising many of the same individuals and groups – “terrorists” – to which al-Jazeera gives voice. The problem for them is that Qatar seems to be on the right side of history.
Arabs generally are fed up with their corrupt and useless unelected governments and are ready for any alternative in future, as long as it looks nothing like the past. Many Sunni Arabs, liberals and Islamists alike, find al-Jazeera’s democratic, Islamist discourse and optimistic vision of the future much more inspiring than the visions their widely hated and feared governments are peddling.
Qatar, of course, is also an autocratic government, but since it is so small and rich, normal rules do not apply to it. This is why it has shown no sign of giving in to any of the demands placed on it, even though the deadline expires on Monday.
Hugh Miles is the author of Al-Jazeera: How Arab TV News Challenged the World. He is a Cairo-based freelance journalist specialising in the Middle East, and editor of ArabDigest.org