quinta-feira, 16 de julho de 2009

A ditadura da mídia





O jornalista Altamiro Borges acaba de lançar o livro “A ditadura da mídia”. Faz parte da “Coleção Vermelho”.

“Não é uma obra acadêmica, mas uma peça de denúncia política”, avisa ele.  “Não é neutra nem imparcial, mas visa desmascarar o nefasto poder da mídia hegemônica e formular propostas para a democratização dos meios de comunicação.”

O prefácio é do professor e pesquisador Venício A. de Lima, da Universidade Nacional de Brasília (UNB) e um dos maiores especialista no tema no país: “O precioso e oportuno ‘A ditadura da mídia’ oferece ao leitor, em linguagem simples e direta, não só um quadro atualizado sobre os grupos que disputam o controle da grande mídia no mundo e em nosso país, como também um roteiro justificado de metas que devem orientar as reivindicaçòes populares na 1* Conferência Nacional de Comunicação".

O jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), faz um comentário: "O livro ‘A ditadura da mídia’ tem a justa pretensão de se tornar um instrumento de apoio para todos os que lutam pela construção de uma comunicação mais justa e equilibrada em nosso país”.

“Sem enfrentar a ditadura midiática não haverá avanços na democracia”
O próprio Altamiro Borges antecipa um pouco do que estará no livro:

“A mídia hegemônica vive um paradoxo. Ela nunca foi tão poderosa no mundo e no Brasil, em decorrência dos avanços tecnológicos nos ramos das comunicações e das telecomunicações, do intenso processo de concentração e monopolização do setor nas últimas décadas e da criminosa desregulamentação do mercado que a deixou livre de qualquer controle público. Atualmente, ela exerce a sua brutal ditadura midiática, manipulando informações e deturpando comportamentos. Na crise de hegemonia dos partidos burgueses, a mídia hegemônica confirma uma velha tese do revolucionário italiano Antonio Gramsci e transforma-se num verdadeiro “partido do capital”.

Por outro lado, ela nunca esteve tão vulnerável e sofreu tantos questionamentos da sociedade. No mundo todo, cresce a resistência ao poder manipulador da mídia, expresso nas mentiras ditadas pela CNN e Fox para justificar a invasão dos EUA no Iraque, na sua ação golpista na Venezuela ou na cobertura tendenciosa de inúmeros processos eleitorais. Alguns governantes, respaldados pelas urnas, decidem enfrentar, com formas e ritmos diferentes, esse poder que se coloca acima do Estado de Direito. Na América Latina rebelde, as mudanças no setor são as mais sensíveis.

No caso do Brasil, a mídia controlada por meia-dúzia de famílias também esbanja poder, mas dá vários sinais de fragilidade. Na acirrada disputa sucessória de 2006, o bombardeio midiático não conseguiu induzir o povo ao retrocesso político. Pesquisas recentes apontam queda de audiência da poderosa TV Globo e da tiragem de jornalões tradicionais. O governo Lula, com todas as suas vacilações, adota medidas para se contrapor à ditadura midiática, como a criação da TV Brasil e a convocação da primeira Conferência Nacional de Comunicação.

Este quadro, com seus paradoxos, coloca em novo patamar a luta pela democratização da mídia e pelo fortalecimento de meios alternativos, contra-hegemônicos, de informação. Este desafio se tornou estratégico. Sem enfrentar a ditadura midiática não haverá avanços na democracia, nas lutas dos trabalhadores por uma vida mais digna, na batalha histórica pela superação da barbárie capitalista e nem mesmo na construção do socialismo. Aos poucos, os partidos de esquerda e os movimentos sociais percebem que esta luta estratégica exige o reforço dos veículos alternativos, a denúncia da mídia burguesa e uma plataforma pela efetiva democratização da comunicação.”

O livro A ditadura da mídia tem cinco capítulos:
1- Poder mundial a serviço do capital e das guerras.
2- A mídia na berlinda na América Latina rebelde.
3- Concentração sui generis e os donos da mídia no Brasil.
4- De Getúlio a Lula, histórias da manipulação da imprensa.
5- Outra mídia é urgente: as brechas da democratização.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Desliga a TV e vá ler um livro


MTV pede a jovem para desligar a televisão




Nos últimos anos, não há como falar de campanhas de conscientização para jovens sem mencionar a MTV brasileira. Seja sobre sexo e DSTs, educação, política e ação social, a emissora se firmou como modelo no diálogo com adolescentes e adultos. E no último mês, mais uma vez, a emissora inovou em seus comerciais incluindo a seguinte mensagem estática e silenciosa: "Desligue a televisão e vá ler um livro".
Em um país em que apenas 24% das pessoas entendem realmente o que lê, torna-se imprescindível que se difunda o hábito de leitura entre os mais jovens. No entanto, ao defender uma postura menos passiva dos telespectadores, a emissora dá a impressão de ter dado um tiro no pé. A TV é um fracasso tão grande, que a melhor forma de se educar é pedindo ao espectador que a rechace?
Segundo André Mantovani, diretor-geral da MTV, a intenção é "chamar a atenção" e fazer o jovem "buscar outras fontes de informação". Esse objetivo foi alcançado, basta ver a quantidade de cartas enviadas pelos espectadores ao canal, e também pela repercussão no mercado publicitário, que elogiou a ação. Mesmo que parte da audiência tenha classificado como "cínica" a iniciativa.
Pensando nesses poucos e-mails críticos que chegaram a MTV, o questionamento é válido. Afinal, em vez de pedir para ir aprender em outro meio, não seria mais produtivo criar algum programa experimental que cumprisse o mesmo papel? Nesse sentido, se redimir de qualquer responsabilidade não é uma forma de cinismo?
Quem pensa o papel da televisão defende a participação da audiência na construção da programação. A apropriação dos meios de produção é uma das formas mais efetivas de identificação social e desenvolvimento de uma leitura crítica da mídia. Para Carol Bellammy, diretora executiva do Unicef, a juventude "deve ser incluída na construção da mídia, para entendê-la e se sentir representada".
Assim, a visão da especialista coloca a iniciativa da MTV em xeque, justamente quando ressalta a responsabilidade da emissora. Ela não apenas se exime do compromisso (leitura), como não sustenta os preceitos mais básicos de educação, ao não incentivar seus espectadores a repensar o papel da televisão. Uma leitura crítica de seu próprio meio, por assim dizer.
O crítico brasileiro de televisão Laurindo Leal Filho há anos discute os boicotes à programação televisiva. "O país não possui alternativas de lazer. Mais de 80% da população tem a TV como única fonte de entretenimento. Devemos melhorar a qualidade e não satanizar o meio", afirma.
Seja como for, não deixa de ser corajosa a iniciativa da MTV. A mesma coragem encontrada no canal Nickelodeon dos Estados Unidos, que vai ficar fora do ar por três horas, no dia 02 de outubro, para incentivar as crianças a fazerem esportes. A diferença, aqui, é que a o canal infantil tem uma proposta educativa envolvendo seus espectadores. Assim, ela garante não apenas um espaço destinado a atividades físicas, como também de entretenimento educativo em sua programação. E a MTV?