quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Revista americana Newsweek vai se tornar 100% digital no fim de 2012


G1





Última edição impressa será lançada no dia 31 de dezembro.
Edição estará na web e também em tablets por meio de assinatura.

Do G1, com informações da France Presse

 A revista americana Newsweek anunciou nesta quinta-feira (18) que sua última edição impressa será lançada no dia 31 de dezembro, passando, a partir da data, a ser totalmente digital.
"A Newsweek Global, como será chamada a publicação totalmente digital, será uma edição única e mundial voltada para um público líder de opinião e altamente móvel que deseja aprender sobre acontecimentos mundiais em um contexto sofisticado", afirmou Tina Brown, editora-chefe e fundadora da Newsweek Daily Beast Company on-line em um comunicado.
A editora afirmou que sabe que esta decisão levará a algumas demissões.
"Estamos fazendo uma transição na Newsweek, não estamos dizendo adeus. Esta decisão não tem nada a ver com a marca ou com o jornalismo, que está mais forte do que nunca. É sobre os desafios econômicos da edição impressa e sua distribuição", disse Brown.
A edição estará na web e também em tablets através de uma assinatura, com "seleção de conteúdo", disponível no site The Daily Best.
Barry Diller, diretor e chefe-executivo do conglomerado IAC (InterActiveCorp), empresa que administrava a empresa conjunta da Newsweek/Daily Beast desde sua união, em 2010, assegurou que estavam vendo novas opções, agora que as duas companhias saíram do negócio.
O jornal The Washington Post vendeu anteriormente a revista Newsweek ao multimilionário da Califórnia Sidney Harman
.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O poder das grandes ideias em Huntington



Neste início de um novo ano, a pouco mais de dez dias da posse do novo presidente
norte-americano e com as expectativas de importantes mudanças políticas e
econômicas, poderíamos dizer que nos encontramos em um momento huntingtoniano.
Samuel Huntington, teórico político que faleceu no dia 24 de dezembro aos 81 anos,
refletiu sobre o poder do pensamento, e pertence à raça de homens que cultivaram
"grandes ideias", cujas obras mais famosas não só explicaram a transformação
histórica, como aparentemente a cristalizaram - alterando nossa maneira de olhar o
mundo, para melhor, mas também para pior.

Em 1968, quando Ordem Política nas Sociedades em Mudança foi publicado, a maioria
dos cientistas políticos afirmava que o segredo da democracia era a modernização. À
medida que as sociedades atrasadas se equiparassem às mais avançadas, teriam de
desenvolver também sistemas políticos mais abrangentes. Huntington usou um argumento
contrário: como muitas vezes a modernização trouxe o caos, o fator "sine qua non" de
uma sociedade bem-sucedida é a ordem, que pode refrear os demônios desencadeados
pela mudança social, e também criar as condições de uma reforma política gradual.
Segundo esta perspectiva, um sistema que impõe a ordem, até mesmo a ordem
autoritária, seria legítimo.

Na União Soviética, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, "o governo governa",
escreveu. Os três países "têm instituições políticas fortes, flexíveis e coerentes:
burocracias eficientes, partidos políticos bem organizados". Publicado no momento em
que os esforços para a construção de uma nação democrática no Vietnã do Sul se
revelaram desastrosos, o livro de Huntington modificou totalmente o debate. O Choque
das Civilizações, de 1996, também captou o momento histórico, embora com um
argumento diferente. O impulso unificador da ordem que era o fulcro da análise de
Huntington sobre a Guerra Fria - quando os regimes democráticos e autoritários
podiam coexistir, embora com desconforto - dava lugar a uma visão sombria de um
mundo dividido de forma irreconhecível. Huntington descreveu civilizações diferentes
com valores diferentes - mais especificamente, os do Ocidente e os do mundo
islâmico.

Nestes dois livros, Huntington aparentemente calibrou seus respostas enquanto a
história estava se fazendo. À medida que os acontecimentos foram mudando, também
mudaram as interpretações. Era de se esperar. A adaptação da teoria à realidade é a
essência do ofício do filósofo que reflete sobre o poder das ideias. Mas nem sempre
foi assim. Na idade clássica, quando as guerras duravam anos, e até mesmo décadas, e
a tecnologia evoluía lentamente, historiadores tinham uma visão mais aberta. Para
eles, nenhum evento histórico era mais importante do que outro. Todos
desenrolavam-se em ciclos recorrentes, dominados pelas profundas correntes da
natureza humana. Bernard Madoff é acusado de fraudar investidores em US$ 50 bilhões,
utilizando o mesmo esquema usado por Charles Ponzi em 1921. Os "instrumentos"
financeiros de Wall Street passaram por uma revolução nas últimas nove décadas, mas
as pessoas são movidas pelos mesmos apetites - inveja, cobiça, medo.

Foi na era moderna, com sua crença no progresso humano, que os pensadores começaram
a interpretar o mundo de um modo diferente - não como um registro da loucura humana,
e sim como a atuação de forças históricas em transformação. O filósofo italiano
Giambattista Vico afirmava no século 18 que todas as civilizações passam por três
estágios: a idade dos deuses, na qual as divindades governam a humanidade; a idade
dos heróis aristocráticos, em que os indivíduos superiores reinavam sobre os
inferiores; e a idade dos seres humanos comuns, em que homens e mulheres se governam
no espírito da igualdade.

Esta última fase acabou dando lugar à decadência e à desintegração caracterizadas
por comportamentos grotescos (reality shows). A este ponto, os deuses retornam
(Homem de Ferro, Hulk), e o ciclo dos três estágios recomeça. Ao mesmo tempo,
pensadores franceses como Voltaire, Condorcet e Turgot converteram a ideia cristã do
progresso espiritual em uma visão de aperfeiçoamento humano racional. Esta crença do
Iluminismo na perfectibilidade humana é, entre outras coisas, uma grande máquina de
fabricar ilusões. No início do século 19, um dos gigantes criadores de grandes
ideias, G.W.F. Hegel, tentou conciliar razão e religião por meio da lógica da
"dialética". Até mesmo eventos terríveis podem representar avanços para a sociedade
humana. A Revolução Francesa caiu na violência irracional, mas sua violência
"necessária" provocou reação racional contra esta verdadeira barbárie.

O mais influente teórico da história do século 19, Karl Marx, adotou a dialética de
Hegel, mas submeteu-a a uma revisão para adaptá-la à sua teoria do materialismo
histórico, cujas raízes estavam na luta de classes e na concorrência econômica. Para
Marx, "dialética" significava que os sistemas políticos plantam as sementes de sua
própria destruição. O triunfo do capitalismo burguês fomentava as injustiças
econômicas que, previa Marx, dariam origem ao proletariado, que, um dia, derrubaria
a burguesia. É possível observar os últimos 15 anos através das lentes marxistas. A
prosperidade e o sucesso espalharam as sementes da atual crise econômica, o que por
sua vez alimentou a ira crescente da "classe" dos financistas de Wall Street. Em
termos mais amplos, a visão de Marx foi desacreditada.

O mesmo, neste sentido, ocorreu com a teoria de Huntington sobre o "autoritarismo
modernizante". Em seu prefácio a uma recente edição de Ordem Política, Francis
Fukuyama, observou que o sistema soviético não foi absolutamente o governo eficiente
que Huntington afirmava que havia sido. A ideia de Huntington sobre o inevitável
choque das civilizações também soa diferente hoje - sua severa visão de mundo
assemelha-se de modo desconcertante ao pensamento sobre o qual se fundamenta a
cruzada do governo Bush contra o Islã político, embora o próprio Huntington se
mostrasse cético quanto ao que definiu como "missão" imperialista dos Estados Unidos
no Iraque. Huntington compreendeu corretamente muitas coisas. Mas em sua grandeza,
elas penderam para a excessiva simplificação. "Talvez", como escreveu Fukuyama,
"todas as grandes teorias estejam, em última análise, destinadas ao fracasso".

E por que teria de ser assim? Provavelmente porque em seu desejo de explicar tanto,
os grandes pensadores tendem a pular os elementos complicadores e as evidências do
contrário. Pintando em amplas e muitas vezes brilhantes pinceladas, frequentemente
eles não percebem as sombras e as rachaduras. A própria sedução da produção de
grandes ideias - sua promessa de que tudo se encaixa ou pelo menos pode-se fazer com
que pareça encaixar - é também um perigo. Com frequência, ela oferece algo
irresistível, a possibilidade de mudar, ou pelo menos controlar nossas vidas por
meio das ideias, mesmo que estas ideias não passem de invenções abstratas. No
entanto, enquanto houver uma história pública e privada, os seres humanos tentarão
interpretá-la à sua maneira. Para melhor, e para pior.

Lee Siegel, autor de Against the Machine, é professor da Rutgers University


http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-poder-das-grandes-ideias-em-huntington,305369,0.htm


Contribuição: Pedro Bentes

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

New York Times anuncia lançamento de edição digital para o Brasil



G1








Edição online será em português, destinada ao público brasileiro.

Lançamento será em 2013, segundo anunciou o jornal.

Da France Presse

NYT (Foto: Reprodução)NYT (Foto: Reprodução)
O jornal americano The New York Times anunciou que lançará no próximo ano uma edição online em português destinada ao público brasileiro.
"A nova edição online oferecerá conteúdos de qualidade que o Times levará a uma audiência brasileira educada", afirma o jornal em um comunicado.
A edição terá traduções para o português de artigos do jornal, mas também textos especialmente escritos por jornalistas locais, que devem representar um terço do volume de conteúdo.
Os textos terão como temas assuntos internacionais, economia e cultura, além de "temas de interesse particular para o leito brasileiro". A edição deve ter 40 artigos por dia, assim como fotos. Gráficos e elementos multimídia serão adicionados no futuro
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No futuro, receita virá principalmente de leitores, diz analista de mídia


G1


 




Ken Doctor fala nesta segunda (15) em encontro de imprensa em SP.
Segundo ele, América Latina tem pouco tempo para se adaptar

Giovana SanchezDo G1, em São Paulo

O autor e analista Ken Doctor, que apresentará palestra nesta segunda (15), em encontro da SIP (Foto: Divulgação)O autor e analista Ken Doctor, que proferirá
palestra nesta segunda (15), em
encontro da SIP (Foto: Divulgação)
Há pelo menos 15 anos, falar de tablets, conteúdos digitais e mídias sociais era tão estranho quanto nos pareceria hoje ignorar a presença dessas tecnologias em nossa vida. Para o consultor de mídias digitais Ken Doctor, autor de "Newsonomics – doze novas tendências que moldarão as notícias e o impacto na economia mundial", o modo como nos comunicamos e compartilhamos as notícias é especialmente afetado por essa mudança analógico-digital.
"Se você olhar para os anos 1990, era tudo uma questão de pequenos experimentos em empresas jornalísticas e muito otimismo. Nos anos 2000, as previsões eram de tempos terríveis, de perdas, perdas em receitas. Agora, há um reconhecimento de que o mundo mudou completamente, mas que há um novo lugar para as empresas jornalísticas", disse Doctor em entrevista aoG1, por telefone.
O analista é um dos palestrantes presentes nos debates desta segunda-feira (15) na 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa, que ocorre até o dia 16, em São Paulo.
Seguno ele, uma das principais tendências para os meios de comunicação no futuro próximo consiste na fonte da receita vinda diretamente dos leitores - e menos dos anunciantes. "O 'New York Times' hoje lucra mais com leitores do que com anunciantes. E isso é uma mudança enorme, e eu vejo essa mudança em empresas da América do Norte, da Europa, assim como da Ásia."
Leia a seguir a íntegra da entrevista com o consultor:
 G1 - Em seu livro, o senhor fala das leis que modelarão as notícias no futuro próximo. Como o senhor vê esse futuro? Qual seria o modelo desejável e possível?
Ken Doctor - 
Basicamente, as empresas de mídia estão enfrentando agora o que eu chamo de ponto de convergência, quando o mundo está se tornando principalmente digital e restam alguns impressos. E isso aconteceu nos últimos 15 anos, quando havia basicamente só impressos e poucos digitais. Os digitais vêm aumentando, mas agora é a convergência. Então eles estão aprendendo a ser basicamente digitais, planejar os dois, como produzir conteúdo, distribuir em smartphones e em tablets, e como servir os anunciantes.
Essa é a grande distinção da era em que estamos ingressando. Eu a vejo nos seguintes termos: se você olhar para os anos 1990, era tudo uma questão de pequenos experimentos em empresas jornalísticas e muito otimismo. Nos anos 2000, as previsões eram de tempos terríveis, de perdas, perdas em receitas. Agora, há um reconhecimento de que o mundo mudou completamente, mas que há um novo lugar para as empresas jornalísticas.
G1 - O senhor poderia resumir as principais leis que o senhor fala em seu livro?
Ken - 
Sim... Eu escrevi o livro há três anos, mas sigo atualizando bastante. As principais coisas que aponto agora são como os leitores e as receitas vindas de leitores - que chamamos de circulação no negócio de jornais - é realmente a tendência mais importante na nossa frente. O [jornal americano] "New York Times" hoje lucra mais com leitores do que com anunciantes. E isso é uma mudança enorme, e eu vejo essa mudança em empresas da América do Norte, da Europa, assim como da Ásia.
O apoio nos leitores para bancar a maioria dos custos para criar as notícias é um fenômeno que está realmente se lançando pelo mundo dos jornais. Agora, há duas razões para isso: uma é que os anúncios têm diminuído, e continuam diminuindo, mas a segunda razão é a circulação digital, que se chama paywall [sistema que bloqueia o acesso ao conteúdo caso não haja pagamento]. Acho paywall um termo bobo, já que os leitores estão acostumados a pagar por jornais há décadas e mais décadas, mas dada a mudança do acesso livre para o conteúdo na internet as pessoas usam o termo paywall. É só circulação digital. Toda a noção de ter leitores que estão realmente interessados em um certo título, em um certo jornal, seja um jornal nacional, local, semanal, e fazê-lo pagar tanto pelo acesso digital quanto pelo acesso impresso é uma grande ideia, e hoje há mais de 500 jornais diários pelo mundo que implementaram a circulação digital apenas nos últimos dois anos.
Acho que essa é a principal tendência a se observar enquanto avançamos e é parte do que falarei em São Paulo.
G1 - Uma das leis que o senhor cita é a de conteúdo darwinista. O senhor pode explicar do que se trata?
Ken -
 Basicamente é o que chamamos da morte das distâncias. Antes era assim: onde você morava, você tinha a opção de um ou alguns jornais ali, e eles te davam todas as notícias, não apenas as locais, mas as notícias nacionais, internacionais, de economia, tudo. E eram os editores nesses jornais locais que decidiam o que você veria a cada dia. Eles pegavam muito conteúdo por toda a grade, assim como em agências e de seus repórteres, e a maioria dos leitores recebia as notícias do dia pelos olhos dos editores locais. E, agora, em 15 anos isso mudou completamente.
As pessoas vão a fontes de notícias nacionais, no Brasil, em Nova York, em Berlim, ou em pequenas cidades, em todo lugar. Eles podem ter fontes internacionais de notícias, como a BBC, CNN, NYT, Wall Street Journal e Financial Times com um clique ou um toque em um tablet. As pessoas estão indo direto para notícias nacionais ou internacionais, sites específicos de esportes, de economia, e isso reduziu o mundo dos jornais locais, que estão voltando a serem locais. E é isso que as pessoas estão procurando, já que podem ter toda a notícia nacional e de esportes que querem diretamente.
Então, conteúdo darwinista significa simplesmente que o melhor conteúdo que vai ganhar. Se você não pode ser o melhor no que faz, você provavelmente não sobreviverá.
G1 - Em que estágio o senhor acredita que nós brasileiros, em particular, e os latino-americanos, no geral, estamos dessas mudanças que o senhor vê no futuro próximo?
Ken -
 O que tenho visto é que o crescimento das economias da América Latina e o crescimento da classe média têm ajudado as empresas de mídia a achar mais sucesso do que muitas empresas na Europa e nos EUA. Ao mesmo tempo, os mesmos desafios existem. São os mesmos desafios de quebra digital, de leitores querendo suas notícias em iPhones, tablets, assim como impressos, de leitores querendo cada vez mais vídeos - e eu sei que a televisão é particularmente forte em seu país, assim como na América Latina. Então é uma mistura, de um lado os editores latino-americanos têm mais tempo para se ajustar, mas só alguns anos a mais, dados os fatos únicos da América Latina. Ao mesmo tempo, para os editores de notícias, a necessidade de se mover muito mais rápido em direção ao vídeo online é muito importante, visto como a audiência gosta de receber suas notícias.
A programação do evento na íntegra está disponível na página da 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa na internet
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sábado, 29 de setembro de 2012

Entrevista Andre Keen, autor do livro #vertigemdigital

Teórico britânico vai contra a maré e ataca a "ilusão" de ferramentas como o Twitter e o Facebook, critica Julian Assange e relativiza a força das redes na Primavera Árabe

André Miranda

andre.miranda@oglobo.com.br

Voz crítica. Andrew Keen: "Caí fora do Facebook, e eu me senti melhor"

Pedro Kirilos



Analista afirma que usuários deixam de ser cadáveres ao abandonar plataformas como o Facebook

O teórico britânico Andrew Keen, polêmico pensador sobre o mundo digital, acaba de lançar no Brasil o livro "#vertigemdigital" (editora Zahar). Keen conversou com O GLOBO sobre a influência das redes sociais na cultura atual.

Em seu livro "#vertigemdigital", o senhor diz que as redes sociais são uma ameaça às liberdades individuais. Mas os usuários não têm a opção de ignorá-las?

Acho que podemos. Mas não é tão simples. É óbvio que, de um lado, podemos tentar ser mais maduros, evitar o narcisismo e deixar de lado a sedução digital. Porém, quando a internet se torna a plataforma onde vivemos, responsável por construir marcas e fortalecer nossas redes de relacionamento, é extremamente difícil não estar nas redes sociais. Todos construímos nossas marcas nessas redes e acabamos varridos para esse mundo.

O senhor tem conta no Twitter, mas não está no Facebook. Nunca se interessou pela rede de Mark Zuckerberg?

Eu usei, mas acabei me tornando um dissidente do Facebook. Se eu estivesse no Facebook, a primeira pergunta que você me faria seria: como você escreve um livro para criticar as redes sociais e está no Facebook? Mas a questão é que, para entender as mídias sociais, você precisa estar nelas. Então usei o Facebook por um tempo, como pesquisa, mas caí fora antes de o livro ser publicado. E eu me senti melhor.

Tenho um amigo que cancelou sua conta no Facebook e ouviu da filha que ele tinha cometido suicídio.

Eu diria o contrário. Quando você cancela sua conta, você retorna à vida e não é mais um cadáver.

O senhor fala muito sobre Julian Assange, em boa parte criticamente. Fora as acusações de assédio sexual, qual o maior crime de Assange?

Acho que ele é um ideólogo da transparência radical. Só que é errada a ideia de que todos os governos devem ser inteiramente transparentes. É preciso haver um nível de segredo e privacidade. A transparência radical é impossível e perigosa. Ela destrói a autoridade do governo.

As redes sociais não podem aumentar o hábito de leitura nas crianças?

É, pode ser. Em meu livro, tento não ser tão reativo em dizer que as redes sociais estão destruindo o mundo. Eu uso a metáfora dos cadáveres, mas faço isso de uma maneira lúdica. As redes sociais têm seu valor, mas há muitos problemas. Um dos propósitos do livro é desmistificar essa dominância das redes sociais.

As rede sociais não foram importantes para eventos como a Primavera Árabe e o Ocupem Wall Street?

Concordo, mas acho que há alguma caricatura. Esses movimentos refletem os pontos fortes e os fracos das mídias sociais. O fraco é que eles não permitem agregar de verdade as pessoas.
Jornal: O GLOBOAutor:  
Editoria: EconomiaTamanho: 525 palavras
Edição: 1Página: 28
Coluna:Seção:
Caderno: Primeiro Caderno