sexta-feira, 13 de maio de 2016

Orwell estava certo. Huxley, também



Por Chris Hedges

1984

As duas grandiosas visões sobre uma futura distopia foram as de George Orwell em 1984 e de Aldous Huxley em Brave New World (Admirável mundo novo). O debate entre aqueles que assistiram nossa decadência em direção ao totalitarismo corporativo era sobre quem, afinal, estava certo. Seria, como Orwell escreveu, dominado pela vigilância repressiva e pelo estado de segurança que usaria formas cruas e violentas de controle? Ou seria, como Huxley anteviu, um futuro em que abraçariamos nossa opressão embalados pelo entretenimento e pelo espetáculo, cativados pela tecnologia e seduzidos pelo consumismo desenfreado? No fim, Orwell e Huxley estavam ambos certos. Huxley viu o primeiro estágio de nossa escravidão. Orwell anteviu o segundo.

Temos sido gradualmente desempoderados por um estado corporativo que, como Huxley anteviu, nos seduziu e manipulou através da gratificação dos sentidos, dos bens de produção em massa, do crédito sem limite, do teatro político e do divertimento. Enquanto estávamos entretidos, as leis que uma vez mantiveram o poder corporativo predatório em cheque foram desmanteladas, as que um dia nos protegeram foram reescritas e nós fomos empobrecidos. Agora que o crédito está acabando, os bons empregos para a classe trabalhadora se foram para sempre e os bens produzidos em massa se tornaram inacessíveis, nos sentimos transportados do Brave New World para 1984. O estado, atulhado em déficits maciços, em guerras sem fim e em golpes corporativos, caminha em direção à falência.

[…]

Orwell nos alertou sobre um mundo em que os livros eram banidos. Huxley nos alertou sobre um mundo em que ninguém queria ler livros. Orwell nos alertou sobre um estado de guerra e medo permanentes. Huxley nos alertou sobre uma cultura de prazeres do corpo. Orwell nos alertou sobre um estado em que toda conversa e pensamento eram monitorados e no qual a dissidência era punida brutalmente. Huxley nos alertou sobre um estado no qual a população, preocupada com trivialidades e fofocas, não se importava mais com a verdade e a informação. Orwell nos viu amedrontados até a submissão. Mas Huxley, estamos descobrindo, era meramente o prelúdio de Orwell. Huxley entendeu o processo pelo qual seríamos cúmplices de nossa própria escravidão. Orwell entendeu a escravidão. Agora que o golpe corporativo foi dado, estamos nus e indefesos. Estamos começando a entender, como Karl Marx sabia, que o capitalismo sem limites e desregulamentado é uma força bruta e revolucionária que explora os seres humanos e o mundo natural até a exaustão e o colapso.

“O partido busca todo o poder pelo poder”, Orwell escreveu em 1984. “Não estamos interessados no bem dos outros; estamos interessados somente no poder. Não queremos riqueza ou luxo, vida longa ou felicidade; apenas poder, poder puro. O que poder puro significa você ainda vai entender. Nós somos diferentes das oligarquias do passado, já que sabemos o que estamos fazendo. Todos os outros, mesmo os que se pareciam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos chegaram perto pelos seus métodos, mas eles nunca tiveram a coragem de reconhecer seus próprios motivos. Eles fizeram de conta, ou talvez tenham acreditado, que tomaram o poder sem querer e por um tempo limitado, e que logo adiante havia um paraíso em que os seres humanos seriam livres e iguais. Não somos assim. Sabemos que ninguém toma o poder com a intenção de entregá-lo. Poder não é um meio; é um fim. Ninguém promove uma ditadura com o objetivo de assegurar a revolução; se faz a revolução para assegurar a ditadura. O objeto da perseguição é perseguir. O objeto de torturar é a tortura. O objeto do poder é o poder”.

O filósofo político Sheldon Wolin usa o termo “totalitarismo invertido” no livro “Democracia Ltda.” para descrever nosso sistema político. É um termo que não faria sentido para Huxley. No totalitarismo invertido, as sofisticadas tecnologias de controle corporativo, intimidação e manipulação de massas, que superam em muito as empregadas por estados totalitários prévios, são eficazmente mascaradas pelo brilho, barulho e abundância da sociedade de consumo. Participação política e liberdades civis são gradualmente solapadas. O estado corporativo, escondido sob a fumaça da indústria de relações públicas, da indústria do entretenimento e do materialismo da sociedade de consumo, nos devora de dentro para fora. Não deve nada a nós ou à Nação. Faz a festa em nossa carcaça.

O estado corporativo não encontra a sua expressão em um líder demagogo ou carismático. É definido pelo anonimato e pela ausência de rosto de uma corporação. As corporações, que contratam porta-vozes atraentes como Barack Obama, controlam o uso da ciência, da tecnologia, da educação e dos meios de comunicação de massa. Elas controlam as mensagens do cinema e da televisão. E, como no Brave New World, elas usam as ferramentas da comunicação para aumentar a tirania. Nosso sistema de comunicação de massas, como Wolin escreveu, “bloqueia, elimina o que quer que proponha qualificação, ambiguidade ou diálogo, qualquer coisa que esfraqueça ou complique a força holística de sua criação, a sua completa capacidade de influenciar”.

O resultado é um sistema monocromático de informação. Cortejadores das celebridades, mascarados de jornalistas, experts e especialistas, identificam nossos problemas e pacientemente explicam seus parâmetros. Todos os que argumentam fora dos parâmetros são desprezados como chatos irrelevantes, extremistas ou membros da extrema esquerda. Críticos sociais prescientes, como Ralph Nader e Noam Chomsky, são banidos. Opiniões aceitáveis cabem, mas apenas de A a B. A cultura, sob a tutela dos cortesãos corporativos, se torna, como Huxley notou, um mundo de conformismo festivo, de otimismo sem fim e fatal.

Nós nos ocupamos comprando produtos que prometem mudar nossas vidas, tornar-nos mais bonitos, confiantes e bem sucedidos — enquanto perdemos direitos, dinheiro e influência. Todas as mensagens que recebemos pelos meios de comunicação , seja no noticiário noturno ou nos programas como “Oprah”, nos prometem um amanhã mais feliz e brilhante. E isso, como Wolin apontou, é “a mesma ideologia que convida os executivos de corporações a exagerar lucros e esconder prejuízos, sempre com um rosto feliz”. Estamos hipnotizados, Wolin escreve, “pelo contínuo avanço tecnológico” que encoraja “fantasias elaboradas de poder individual, juventude eterna, beleza através de cirurgia, ações medidas em nanosegundos: uma cultura dos sonhos, de cada vez maior controle e possibilidade, cujos integrantes estão sujeitos à fantasia porque a grande maioria tem imaginação, mas pouco conhecimento científico”.

Nossa base manufatureira foi desmantelada. Especuladores e golpistas atacaram o Tesouro dos Estados Unidos e roubaram bilhões de pequenos acionistas que tinham poupado para a aposentadoria ou o estudo. As liberdades civis, inclusive o habeas corpus e a proteção contra a escuta telefônica sem mandado, foram enfraquecidas. Serviços básicos, inclusive de educação pública e saúde, foram entregues a corporações para explorar em busca do lucro. As poucas vozes dissidentes, que se recusam a se engajar no papo feliz das corporações, são desprezadas como freaks.

[…]

A fachada está desabando. Quanto mais gente se der conta de que fomos usados e roubados, mais rapidamente nos moveremos do Brave New World de Huxley para o 1984 de Orwell. O público, a certa altura, terá de enfrentar algumas verdades doloridas. Os empregos com bons salários não vão voltar. Os maiores déficits da história humana significam que estamos presos num sistema escravocrata de dívida que será usado pelo estado corporativo para erradicar os últimos vestígios de proteção social dos cidadãos, inclusive a Previdência Social.
O estado passou de uma democracia capitalista para o neo-feudalismo. E quando essas verdades se tornarem aparentes, a raiva vai substituir o conformismo feliz imposto pelas corporações. O vazio de nossos bolsões pós-industriais, onde 40 milhões de norte-americanos vivem em estado de pobreza e dezenas de milhões na categoria chamada “perto da pobreza”, junto com a falta de crédito para salvar as famílias do despejo, das hipotecas e da falência por causa dos gastos médicos, significam que o totalitarismo invertido não vai mais funcionar.

Nós crescentemente vivemos na Oceania de Orwell, não mais no Estado Mundial de Huxley. Osama bin Laden faz o papel de Emmanuel Goldstein em 1984. Goldstein, na novela, é a face pública do terror. Suas maquinações diabólicas e seus atos de violência clandestina dominam o noticiário noturno. A imagem de Goldstein aparece diariamente nas telas de TV da Oceania como parte do ritual diário da nação, os “Dois Minutos de Ódio”. E, sem a intervenção do estado, Goldstein, assim como bin Laden, vai te matar. Todos os excessos são justificáveis na luta titânica contra o diabo personificado.

A tortura psicológica do cabo Bradley Manning — que está preso há sete meses sem condenação por qualquer crime — espelha o dissidente Winston Smith de 1984. Manning é um “detido de segurança máxima” na cadeia da base dos Fuzileiros Navais de Quantico, na Virginia. Eles passa 23 das 24 horas do dia sozinho. Não pode se exercitar. Não pode usar travesseiro ou roupa de cama. Médicos do Exército enchem Manning de antidepressivos. As formas cruas de tortura da Gestapo foram substituídas pelas técnicas refinadas de Orwell, desenvolvidas por psicólogos do governo, para tornar dissidentes como Manning em vegetais. Quebramos almas e corpos. É mais eficaz. Agora todos podemos ir ao temido quarto 101 de Orwell para nos tornarmos obedientes e mansos.

Essas “medidas administrativas especiais” são regularmente impostas em nossos dissidentes, inclusive em Syed Fahad Hasmi, que ficou preso sob condições similares durante três anos antes do julgamento. As técnicas feriram psicologicamente milhares de detidos em nossas cadeias secretas em todo o mundo. Elas são o exemplo da forma de controle em nossas prisões de segurança máxima, onde o estado corporativo promove a guerra contra nossa sub-classe política – os afro-americanos. É o presságio da mudança de Huxley para Orwell.

“Nunca mais você será capaz de ter um sentimento humano”, o torturador de Winston Smith diz a ele em 1984.”Tudo estará morto dentro de você. Nunca mais você será capaz de amar, de ter amigos, do prazer de viver, do riso, da curiosidade, da coragem ou integridade. Você será raso. Vamos te apertar até esvaziá-lo e vamos encher você de nós”.

O laço está apertando. A era do divertimento está sendo substituída pela era da repressão. Dezenas de milhões de cidadãos tiveram seus dados de e-mail e de telefone entregues ao governo. Somos a cidadania mais monitorada e espionada da história humana. Muitos de nós temos nossa rotina diária registrada por câmeras de segurança. Nossos hábitos ficam gravados na internet. Nossas fichas são geradas eletronicamente. Nossos corpos são revistados em aeroportos e filmados por scanners. Anúncios públicos, selos de inspeção e posters no transporte público constantemente pedem que relatemos atividade suspeita. O inimigo está em toda parte.

Aqueles que não cumprem com os ditames da guerra contra o terror, uma guerra que, como Orwell notou, não tem fim, são silenciados brutalmente. Medidas draconianas de segurança foram usadas contra protestos no G-20 em Pittsburgh e Toronto de forma desproporcional às manifestações de rua. Mas elas mandaram uma mensagem clara — NÃO TENTE PROTESTAR. A investigação do FBI contra ativistas palestinos e que se opõem à guerra, que em setembro resultou em buscas em casas de Minneapolis e Chicago, é uma demonstração do que espera aqueles que desafiam o Newspeak oficial. Os agentes — ou a Polícia do Pensamento — apreenderam telefones, computadores, documentos e outros bens pessoais. Intimações para aparecer no tribunal já foram enviadas a 26 pessoas. As intimações citam leis federais que proíbem “dar apoio material ou recursos para organizações terroristas estrangeiras”. O Terror, mesmo para aqueles que não tem nada a ver com terror, se torna o instrumento usado pelo Big Brother para nos proteger de nós mesmos.

“Você está começando a entender o mundo que estamos criando?”, Orwell escreveu. “É exatamente o oposto daquelas Utopias estúpidas que os velhos reformistas imaginaram. Um mundo de medo, traição e tormento, um mundo em que se atropela e se é atropelado, um mundo que, ao se sofisticar, vai se tornar cada vez mais cruel”.

DOWNLOAD LIVRO 1984:
https://docs.google.com/file/d/0B83_nRk1EmwhMTk2X3dTdVJwSDg/edit?usp=sharing
DOWNLOAD LIVRO ADMIRÁVEL MUNDO NOVO:
https://docs.google.com/file/d/0B83_nRk1EmwhUUttMlZ2R3ZMX28/edit?usp=sharing

sexta-feira, 18 de março de 2016

A mídia empresarial e a corrosão dos valores democráticos



O Brasil prova a frase de Joseph Pulitzer: 'Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma'


Gaudêncio Frigotto*
Latuff
Um dos temas mais cruciais hoje para a vida democrática no Brasil é a necessidade inadiável de assumir o debate sobre as corporações empresariais que detém o monopólio da informação. Não por acaso, um tema que, de imediato, essas próprias corporações esgrimam em suas redes de TV, rádio e seus jornais, no esforço de convencer mentes e corações que a censura voltou  e  se está cometendo o maior atentado contra a democracia. Democracia por elas entendida como defesa do mundo privado.
 
O filme documentário de Camilo Galli Tavares – O dia que durou 21 anos,mostra o quanto foi decisiva a grande mídia no golpe civil e militar de 1964. O que se revela no documentárioé que estamídia agiu nos bastidores com políticos brasileiros e dos Estados Unidos e, diretamente, com as pautas diárias induzindo a opinião da classe média e das grandes massas, a respeito da suposta ameaça comunista, que estaria às nossas portas]
 
Mas valeria, também, analisar os tempos que precederam a morte de Getúlio Vargas.  Esse retrospecto pode nos ajudar a ver com meridiana clareza que esta mesma mídia está implicada diuturnamente em fomentar asmassas para manter privilégios de grupos e, no momento, legitimar o golpe institucional que está em processo e que representará um retrocesso pior, porque mais profundo, do que o golpe de 1964.
 
As consequências sociais e políticas podem ser dramáticas, pois as três décadas de frágil ordem democrática permitiram formar sindicatos, organizações científicas, culturais e movimentos sociais e populares que não existiam em 1964 e que certamente não se calarão. Osefeitos podem não ser no dia seguinte ao golpe se consumado, mas logo quando  grandes massas se perceberem da manipulação a que foram submetidas por uma minoria rica, cínica e prepotente representada em todas as esferas institucionais do país.

Pela Constituição brasileira, os meios de comunicação são concessão do Estado e deveriam atender aos interesses universais e não privados. Portanto, interesses democráticos. Mas a imprensa empresarial privada e monopolizada é, por definição, anti democrática. Vale dizer, atende aos interesses  de grupos e não aos interesses da  sociedade no seu conjunto.  O argumento de que o controle social da mídia é censura dissimula o caráter de censura da grande mídia empresarial ao pensamento divergente, fermento da ordem democrática.
 
Os estudosacadêmicos sobre o caráter parcial, direcionado, seletivo da grande mídia monopolizada são abundantes. No plano internacional, as análises de um dos maiores sociólogos do Século XX, o francês Pierre Bourdieu, e do linguista e cientista político Noam Chomsky, mostram o quão parcial e demolidora dos direitos à informação livre é a mídia monopolizada mundialmente.  
 
No Brasil poucas vozes de juristas, políticos e intelectuais  têm  se manifestado sobre o risco da manipulação midiática para a manutenção e aprofundamento da ordem democrática e, conseqüentemente,  para avanços  nas reformas estruturais historicamente postergadas e que nos constituem como uma  sociedade das mais desiguais do mundo.  Desigualdade que está na origem de todas as formas de violênciatão banalizadas pela mídia empresarial.
 
O que se está presenciando pela pauta dominante da grande mídia empresarial, sem dúvida o maior partido ideológico atual no Brasil, torna mais que atuais as afirmações feitas pelo jornalista húngaro Joseph Pulitzer. “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma (grifos meus).”
 
Na mesma direção, de candente atualidade, é o destaque que o Eric Hobsbawm dá  em seu livro Tempos Fraturados (Companhia das Letras, 2013)  ao que o escritor  alemão Karl Kraus observou sobre o papel da mídia no contexto da primeira  Guerra Mundial. Hobsbawm destaca que “a imprensa não só expressava a corrupção da época, mas era, ela própria, a grande corruptora, simplesmente pelo “confisco dos valores através da palavra”. E apoiado em Confúcio sublinha que quando não “se diz tudo o que deve ser dito e se quer dizer, o que precisa ser feito não será feito; se isso não é feito, a moral e a arte se deterioram; se a justiça se extravia, o povo esperará em impotente confusão”( p.162)
 
Por fim, em meados do século XX, na coletânea de textos de Pier Paolo Pasolini, publicada em 1990 pela editora  Brasiliense com o título  Jovens Infelizes , este autor de vasta obra, observando o papel da imprensa no pós Segunda Guerra Mundial assinalava que o fascismo arranhou a Itália, mas o monopólio da mídia arruinou. O magnata da mídia Berlusconi é a expressão políticamais candente da ruína a que foi submetida a Itália.
 
Há sim que denunciar e combater a corrupção, mas não seletivamente e sim sob todas as formas e todos os envolvidos. Corrupção por propinas a políticos, corrupção por evasão fiscal, corrupção da dívida pública, etc. Para aqueles que lutam pela efetiva democracia e o esforço de construir uma nação não é termos uma imprensa monopólio estatal ou empresarial, mas uma imprensa com controle social de forma institucionalizada para que, sobre todos  os temas  de interesse universal, não se diga  apenas meias verdades, pois isto é pior que a mentira.
 
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* Filósofo e doutor em Educação, História e Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de  São Paulo. Atualmente professor na Faculdade de  Educação e no Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro





Créditos da foto: Latuff

terça-feira, 1 de março de 2016

Quem são os políticos que lideram nas mídias sociais?




POR FÁBIO VASCONCELLOS
Aécio e Dilma




























Nunca os políticos tiveram tantas alternativas para falar diretamente com os eleitores, podendo dispensar, muitas vezes, a mediação dos tradicionais meios de comunicação. Num clique, eles podem ser vistos, avaliados, admirados e, muitas vezes, também odiados por milhões de usuários das redes. Apesar dos riscos inerentes da maior exposição, as mídias sociais ampliaram as possibilidades de contato dos políticos, permitindo que eles se posicionem diretamente para suas audiências sobre os temas polêmicos do dia a dia. Muitos ainda dão pouca atenção para esse canal de comunicação porque conseguem manter capital político, mesmo sem nunca ter entrado na internet. Mas um grupo vem se destacado pelo uso intenso dessas redes. São os líderes das mídias sociais, aqueles políticos com mais chances de influenciar e mobilizar correntes de opinião no ambiente da web.
Uma pesquisa recém concluída pela Vértice, uma empresa incubadora da Universidade Federal Fluminense (UFF), mapeou, em fevereiro, os políticos com maior presença nas mídias sociais, aqueles que hoje podem ser considerados os mais hábeis em ocupar e mobilizar audiências. O estudo foi coordenado pelo professor Afonso de Albuquerque, da Pós-Graduação em Comunicação e Política, e contou com a participação dos pesquisadores Carolina de Paula, Marcelo Alves e Eleonora Magalhães.
Segundo o estudo, dez políticos são considerados líderes nas mídias sociais e, entre eles, estão Aécio Neves (PSDB), Romário Faria (PSB) e Eduardo Cunha (PMDB). Para identificar esse grupo, os pesquisadores analisaram as páginas do Facebook dos políticos com o maior número de curtidas, engajamento (comentários e compartilhamentos) e graus de entrada, ou seja, o quanto a página é seguida por outros políticos. Este foi o principial critério usado para produzir o ranking  porque o grau de entrada, segundo o estudo, representaria melhor a relevância de cada político no Facebook.
Líderes no Facebook
A pesquisa foi dividida em três fases. Na primeira, foram identificados os deputados federais com maior presença no FB. Os grafos indicam a existência de três grupos: um grupo formado por parlamentares governistas e também deputados de esquerda. Nesse grupo se destacam Jandira Fenghali (PCdoB/RJ), Maria do Rosário (PT/RS), Jean Wyllis (PSOL/RJ), Chico Alencar (PSOL/RJ) e Paulo Teixeira (PT/SP). Um segundo grupo é formado por parlamentares de oposição, entre eles, Carlos Sampaio (PSDB/SP), Mara Gabrili (PSDB/SP), Bruno Araújo (PSDB/PE), Ônix Lorenzoni (DEM/RS) e Antônio Imbassahy (PSDB/BA).
O terceiro grupo é estrutura entorno do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Para os pesquisadores, "Eduardo Cunha é, dentre todos os deputados, aquele que apresenta maior número de conexões, mas paradoxalmente isto não se traduz em uma rede sólida de apoio. Isto acontece por dois motivos: ele está bastante isolado dos dois grupos principais da Câmara (embora mais próximo do grupo oposicionista); seus seguidores são inexpressivos na rede, e portanto não potencializam sua liderança".
Líderes no Facebook
A segunda etapa da pesquisa concentrou o monitoramento entre os senadores. Nesse caso, o senador Aécio Neves se destaca e, no entorno dele, gravitam Aluysio Nunes (PSDB), Ronaldo Caiado (DEM), Álvaro Dias (PV) e Romário. A rede se estrutura em dois polos. Um mais de oposição ao governo e outro formado por senadores que apoiam o governo. Nesse grupo, se destacam Lindbergh Farias (PT/RJ) e Gleise Hoffman (PT/PR).
Líderes no Facebook
O estudo testou ainda o grau de influência dos políticos no Facebook (independentemente dos cargos). Nesse caso, a rede estrutura-se entorno de Dilma Rousseff e Aécio Neves. Para os pesquisadores, a forte participação de Aécio pode ser reflexo da visibilidade que ele teve durante a campanha presidencial de 2014, além também por ser um dos políticos com participação no debate sobre o possível impeachment da presidente. Essas características fazem Aécio Neves um dos principais líderes do Congresso Nacional. O interessante desses resultados é que o formato da rede (Dilma x Aécio) reproduz o mesmo cenário da disputa eleitoral 2014, um indicativo da polarização que muita gente pode facilmente perceber nos debates travados nas redes sociais.
Líderes no Facebook


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Abril muda Presidência, Direção Editorial e comando de Veja

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25.02.16



Walter Longo e Alecsandra Zapparoli, assumem, respectivamente, a Presidência e a Direção Editorial da Abril. André Petry é o novo diretor de Redação de Veja em substituição a Eurípedes Alcântara, que segue no Conselho Editorial

A Abril anunciou nesta 5ª.feira (25/2) a mais importante mudança em sua cúpula executiva e editorial desde a morte de Roberto Civita, há quase três anos. Giancarlo Civita deixa a Presidência para dedicar-se exclusivamente à Presidência da Abrilpar, holding da família, e será substituído a partir de 1º/3 pelo publicitário Walter Longo. Victor Civita Neto deixa a Direção Editorial do Grupo, mas continua na Presidência do Conselho Editorial da Abril; no lugar dele entra Alecsandra Zapparoli. Muda também a Diretoria de Redação de Veja, que ficará sob o comando de André Petry – Eurípedes Alcântara, depois de quase 35 anos na revista, 12 dos quais como diretor de Redação, continuará no Conselho Editorial da Abril

Walter Longo terá sob sua responsabilidade as operações de Mídia, Gráfica e Distribuição. Publicitário e administrador de empresas com MBA na Universidade da Califórnia, ele vinha atuando como mentor de estratégia e inovação do Grupo Newcomm – holding de comunicação do Grupo WPP, que inclui as agências Young&Rubicam, Wunderman, Grey Brasil, VML, entre outras. Antes foi diretor regional para a América Latina do Grupo Young&Rubicam e presidente, no Brasil, de Grey Advertising, Wunderman Worldwide, TVA e do Grupo Newcomm Bates.

Alexandre Caldini, que assumiu a Presidência da Editora Abril em julho de 2014, passará a se reportar a Longo, assim como Cláudio Prado, desde novembro na Presidência executiva da DGB, holding de distribuição e logística do Grupo Abri, e Eduardo Costa, diretor da Abril Gráfica.

Alecsandra Zapparoli vinha atuando como diretora editorial de Estilo de Vida, que engloba marcas como Quatro Rodas, Superinteressante, Guia do Estudante, Viagem e Turismo, Saúde e Vip, entre outras. Antes, foi diretora de Redação de Veja São Paulo, onde começou como repórter, e teve passagens por DCI, Estadão e Editora Globo, entre outras. A partir de agora, além de ter uma linha direta com o Conselho Editorial, passa a integrá-lo, ao lado de Victor Civita Neto (presidente), Thomaz Souto Corrêa (vice), Eurípedes Alcântara, Giancarlo Civita e José Roberto Guzzo. Responderá a Walter Longo e terá sob o seu comando André Petry (Veja), André Lahoz (Exame), Paula Mageste (Femininas), Edward Pimenta (Estúdio ABC) e Sergio Gwercman (que deixa Quatro Rodas para assumir o lugar de Alecsandra em Estilo de Vida).

André Petry tem mais de 20 anos de atuação na própria Veja, onde foi editor de Política, chefe da sucursal de Brasília, colunista e correspondente internacional em Nova York, e ultimamente ocupava o cargo de editor especial.

Vale lembrar que dezembro passado a Abril anunciou um aporte de capital da família Civita e fechou um acordo para reperfilamento de sua dívida de curto e médio prazos, operação que, segundo o comunicado da empresa, “permitiu uma redução efetiva do endividamento e equilíbrio em suas finanças, deixando a empresa fortalecida para 2016”.

Por: Redação Jornalistas&Cia

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Como os brasileiros consomem mídia no Brasil

São Paulo – A televisão segue como o principal meio de penetração nos lares brasileiros, com uma diferença: 37% das pessoas dá atenção a ela e a internet ao mesmo tempo.
Entre os telespectadores, cresceu 77% o número dos que pagam para assistir canais a cabo no país, de 2010 para 2015. A maior parte deles é da classe A e B e tem entre 25 e 44 anos.  
Essas mudanças de hábitos estão no estudo Target Group Index, da Kantar IBOPE Media, sobre o consumo e tendências de produtos, serviços e mídia dos brasileiros. 
Confira a seguir os principais dados apurados na pesquisa:

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

The future of journalism in an age of social media and dramatic declines in print revenue

Shorenstein Center

Nicco Mele – In Search of a Business Model: The Future of Journalism in an Age of Social Media and Dramatic Declines in Print Revenue

NICCO MELE – IN SEARCH OF A BUSINESS MODEL: THE FUTURE OF JOURNALISM IN AN AGE OF SOCIAL MEDIA AND DRAMATIC DECLINES IN PRINT REVENUE

Thursday, February 18, 2016,
11:00am-12:00pm
Taubman 275
February 18, 2016 — Nicco Mele, author, digital strategist and Wallis Annenberg Chair in Journalism at the USC Annenberg School of Journalism, discussed the future and feasibility of various news outlet business models.
Mele, who is also a former senior vice president and deputy publisher of the Los Angeles Times, and a Shorenstein Center board member, said that while the production and distribution of digital journalism are well understood, “what’s not well understood is how we make money or fund journalism in the digital age.”
Mele described a deepening crisis in the newspaper industry: although some outlets are seeing the largest online audiences they have ever had, revenue is still shrinking. On a local level, preprint advertising (e.g. coupons) has seen a steep decline as retailers like Wal-Mart and Best Buy face challenges of their own. Paradoxically, print advertising still generates the vast majority of newspaper revenue – an undesirable situation, given the cost of printing.
“If the next three years look like the last three years, I think we’re going to look at the 50 largest metropolitan papers in the country and expect somewhere between a third to a half of them to go out of business,” said Mele.
Mele noted that newer entrants such as Buzzfeed, Vox and Vice rely in large part on venture capital. “None of them are yet true public companies with a clear sense of what their revenue equation looks like,” he said.
And although philanthropic and government funding could be options, Mele stressed the importance of news outlets remaining economically independent from large institutions to better fulfill their duty of holding power accountable.
What is clear is that diversity in revenue streams will be an essential part of the future, said Mele, and part of the mix could include two effective but “underappreciated” options: subscription revenue and native content.
While The New York Times and NPR have a strong subscriber base, few other outlets do, said Mele. “Part of the challenge is an overreliance on paywalls – people think you put up a wall, and that’s how you’re going to force people to pay. I think that building a subscription base is a lot more about engaging people in a variety of channels,” he said. He added that paywalls also hurt digital distribution on platforms such as Google and Facebook.
Regarding native advertising, Mele said that while the wall between editorial and advertising exists for good reason, and advertising buys must never influence coverage, there is a “huge appetite” for branded content, and cited Vice as an example of an outlet with an in-house agency that produces branded content. “It’s important that we have, industry wide, a real discussion,” he said. “That doesn’t mean that we should throw that wall away. It means we have to come to some new norms and standards for how we preserve the integrity of newsrooms but also help meet the needs of being economically sustainable and viable.”
Native advertising and other new approaches could be a way for local news outlets to win back advertising dollars lost to competitors such as Google and Craigslist. “We’ve surrendered too much to the technology industry,” said Mele. “To a large extent, Facebook and Google substantially own audiences’ attention the way that newspapers used to,” he said, even though these platforms rely on the content of established news brands. Mele said he thinks that people “are hungry for the brands they trust in their community,” and news outlets should “fight back.”
Adapting to demographic shifts in local communities is also essential for remaining relevant to both readers and advertisers. The Los Angeles Times was slow to adjust to its changing market, which is home to large populations of more than 40 nationalities, said Mele. “The very demographics and ethnic makeup of our communities and cities are changing much faster than we’re able to recognize…our media needs to understand and represent that change both inside the newsroom, as well is in the business models, and in the relationships with advertisers…you have to be a part of your community.”
But even as new business models prove to be successful, media owners will still need to temper their expectations; newspapers no longer have the high profit margins that accompanied a monopoly on audience attention. “The future of journalism is small, scrappy enterprises that are entrepreneurial, that are innovative, that are trying things. And that means that the economic expectations of the performance of those institutions has to be reset,” said Mele.
In the face of an overall “unpleasant” situation, Mele remained forward looking. “It needs to be a clarion call, not for fear and craziness, but for increased innovation, for more failure, until we’re able to find models that work more aggressively – and I think we have a pretty good idea of what those models are.”
During the question and answer session, Mele also discussed his time at the Los Angeles Times, opportunities for longform journalism, crowdfunding, microfunding, verticals for niche audiences, hyperlocal journalism, the role of social media in the 2016 election and more. Listen to the full audio recording above.
Article and photo by Nilagia McCoy of the Shorenstein Center.