terça-feira, 14 de março de 2017

'Pai da internet' lança apelo para combater notícias falsas na web

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No 28º aniversário da World Wide Web, Tim Berners-Lee pede ainda regulação sobre uso indevido de dados pessoais e propaganda política 'antiética'.

 

Tim Berners-Lee durante fala na Campus Party 2011 (Foto: Divulgação/Cristiano Sant'Anna/indicefoto)
O físico britânico Tim Berners-Lee, que idealizou e inventou a World Wide Web (WWW) lança um apelo para combater o uso indevido de dados pessoais e as notícias falsas que circulam pela internet.
Em uma carta para marcar os 28 anos da invenção da web, ele se disse preocupado sobre a forma como a ferramenta vem sendo usada e afirmou que essas práticas "têm um efeito assustador sobre a liberdade de expressão".
Segundo Berners-Lee, algumas tendências específicas na rede causam preocupação: "nós perdemos o controle sobre nossos dados pessoais, é muito fácil difundir desinformação na web e a propaganda política precisa de transparência".
Ele disse que pretende trabalhar com empresas e usuários para encontrar soluções práticas para que web continue sendo uma ferramenta que "dê igual poder e oportunidade a todos"

Acesso aos dados pessoais

Na carta, Berners-Lee afirma que as empresas precisam colocar "um nível justo de controle de dados de volta nas mãos das pessoas". Segundo ele, muitas vezes as pessoas não conseguem informar que dados pessoais elas gostariam ou não de compartilhar.
"Quando nossos dados são armazenados em espaços particulares, longe de nosso alcance, perdemos as benesses que poderíamos ter caso tivéssemos controle direto sobre os dados e escolhêssemos quando e com quem gostaríamos de compartilhá-los. Além disso, muitas vezes não temos meios de contatar as empresas sobre os dados que não queremos compartilhar - especialmente com terceiros. Os termos e as condições de uso normalmente são tudo ou nada", escreveu.
O documento também sugere que a coleta de dados pessoais vem favorecendo o monitoramento e vigilância de todas as ações dos usuários - uma prática que, segundo ele, é preocupante.
"Há um efeito inibidor na liberdade de expressão que impede que a web seja usada como um espaço para lidar com assuntos relevantes, como questões de saúde, sexualidade ou religião", disse.
"A coleta disseminada de dados por empresas também apresenta outros impactos. Em colaboração - ou coerção - com empresas, os governos passaram a observar todos os nossos movimentos online, e aprovaram leis extremas que atropelam nossos direitos à privacidade. Mas, mesmo nos países em que acreditamos que os governos trabalham em prol de seus cidadãos, vigiar todas as pessoas o tempo todo está indo longe demais".

Notícias falsas

Outro tema considerado um desafio pelo criador da web é a facilidade com que as notícias falsas são propagadas na rede. Para Berners-Lee, o hábito de se informar pela internet e a ferramenta dos algoritmos acabaram favorecendo a desinformação, já que colhem os dados dos usuários para continuar oferecendo conteúdo similar que pode gerar interesse - e cliques.
"O resultado é que esses sites nos mostram conteúdo que acreditam que nós vamos querer clicar - o que significa que desinformação ou "notícias falsas" (as chamadas fake news), que têm títulos surpreendentes, chocantes, criados para apelar aos nossos preconceitos, podem se espalhar como fogo".
Segundo ele, é preciso incentivar portais grandes como o Google e o Facebook a se comprometerem a combater o problema. No entanto, os órgãos centrais que decidem o que é verdadeiro ou não devem ser evitados, acrescentou.

Propaganda política 'antiética'

O criador da World Wide Web também destacou o que considera a "sofisticada indústria" da propaganda política online.
Berners-Lee destaca uma fonte que sugere que somente nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, mais de 50 mil variações de anúncios envolvendo a campanha política foram lançadas diariamente no Facebook - uma ação "impossível de se monitorar".
"E suspeita-se que alguns anúncios políticos - nos Estados Unidos e pelo mundo - estão sendo usados de maneira antiética para conduzir eleitores para sites de notícias falsas, por exemplo, ou para manter pessoas longe das pesquisas eleitorais. Anúncios direcionados permitem que uma mesma campanha lance informações diferentes e possivelmente contraditórias para grupos diferentes. Isso é democrático?", questiona.
Apesar de apresentar essas questões e cobrar mais comprometimento para que esses desafios sejam superados, Berners-Lee admite que as "soluções não serão simples" e precisarão contar com a colaboração de usuários e empresas.

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Tim Berners-Lee's proposal

In March 1989, Tim Berners-Lee submitted a proposal for an information management system to his boss, Mike Sendall. ‘Vague, but exciting’, were the words that Sendall wrote on the proposal, allowing Berners-Lee to continue.
Full text of the proposal in html.



 

domingo, 12 de março de 2017

Tim Berners-Lee: I invented the web. Here are three things we need to change to save it

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Tim Berners-Lee, inventor of the worldwide web.



Today marks 28 years since I submitted my original proposal for the worldwide web. I imagined the web as an open platform that would allow everyone, everywhere to share information, access opportunities, and collaborate across geographic and cultural boundaries. In many ways, the web has lived up to this vision, though it has been a recurring battle to keep it open. But over the past 12 months, I’ve become increasingly worried about three new trends, which I believe we must tackle in order for the web to fulfill its true potential as a tool that serves all of humanity.
1) We’ve lost control of our personal data
The current business model for many websites offers free content in exchange for personal data. Many of us agree to this – albeit often by accepting long and confusing terms and conditions documents – but fundamentally we do not mind some information being collected in exchange for free services. But, we’re missing a trick. As our data is then held in proprietary silos, out of sight to us, we lose out on the benefits we could realise if we had direct control over this data and chose when and with whom to share it. What’s more, we often do not have any way of feeding back to companies what data we’d rather not share – especially with third parties – the T&Cs are all or nothing.
This widespread data collection by companies also has other impacts. Through collaboration with – or coercion of – companies, governments are also increasingly watching our every move online and passing extreme laws that trample on our rights to privacy. In repressive regimes, it’s easy to see the harm that can be caused – bloggers can be arrested or killed, and political opponents can be monitored. But even in countries where we believe governments have citizens’ best interests at heart, watching everyone all the time is simply going too far. It creates a chilling effect on free speech and stops the web from being used as a space to explore important topics, such as sensitive health issues, sexuality or religion.
2) It’s too easy for misinformation to spread on the web
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Today, most people find news and information on the web through just a handful of social media sites and search engines. These sites make more money when we click on the links they show us. And they choose what to show us based on algorithms that learn from our personal data that they are constantly harvesting. The net result is that these sites show us content they think we’ll click on – meaning that misinformation, or fake news, which is surprising, shocking, or designed to appeal to our biases, can spread like wildfire. And through the use of data science and armies of bots, those with bad intentions can game the system to spread misinformation for financial or political gain.
3) Political advertising online needs transparency and understanding
Political advertising online has rapidly become a sophisticated industry. The fact that most people get their information from just a few platforms and the increasing sophistication of algorithms drawing upon rich pools of personal data mean that political campaigns are now building individual adverts targeted directly at users. One source suggests that in the 2016 US election, as many as 50,000 variations of adverts were being served every single day on Facebook, a near-impossible situation to monitor. And there are suggestions that some political adverts – in the US and around the world – are being used in unethical ways – to point voters to fake news sites, for instance, or to keep others away from the polls. Targeted advertising allows a campaign to say completely different, possibly conflicting things to different groups. Is that democratic?
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 Sir Tim Berners-Lee: how the web went from idea to reality
These are complex problems, and the solutions will not be simple. But a few broad paths to progress are already clear. We must work together with web companies to strike a balance that puts a fair level of data control back in the hands of people, including the development of new technology such as personal “data pods” if needed and exploring alternative revenue models such as subscriptions and micropayments. We must fight against government overreach in surveillance laws, including through the courts if necessary. We must push back against misinformation by encouraging gatekeepers such as Google and Facebook to continue their efforts to combat the problem, while avoiding the creation of any central bodies to decide what is “true” or not. We need more algorithmic transparency to understand how important decisions that affect our lives are being made, and perhaps a set of common principles to be followed. We urgently need to close the “internet blind spot” in the regulation of political campaigning.
Our team at the Web Foundation will be working on many of these issues as part of our new five-year strategy – researching the problems in more detail, coming up with proactive policy solutions and bringing together coalitions to drive progress towards a web that gives equal power and opportunity to all.
I may have invented the web, but all of you have helped to create what it is today. All the blogs, posts, tweets, photos, videos, applications, web pages and more represent the contributions of millions of you around the world building our online community. All kinds of people have helped, from politicians fighting to keep the web open, standards organisations like W3C enhancing the power, accessibility and security of the technology, and people who have protested in the streets. In the past year, we have seen Nigerians stand up to a social media bill that would have hampered free expression online, popular outcry and protests at regional internet shutdowns in Cameroon and great public support for net neutrality in both India and the European Union.
It has taken all of us to build the web we have, and now it is up to all of us to build the web we want – for everyone.
The Web Foundation is at the forefront of the fight to advance and protect the web for everyone. We believe doing so is essential to reverse growing inequality and empower citizens. You can follow our work by signing up to our newsletter, and find a local digital rights organisation to support here on this list. Additions to the list are welcome and may be sent to contact@webfoundation.org


quinta-feira, 2 de março de 2017

O cérebro revela o truque das notícias virais


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Compartilhar nas redes ativa a região ligada à recompensa sobre a própria imagem, além dos vínculos sociais



Todos os dias, as pessoas compartilham mais de quatro bilhões de mensagens no Facebook, 500 milhões de tuítes e 200 bilhões de e-mails. Em todo esse formidável fluxo de informações, alguns assuntos são vencedores universais: os temas e notícias virais, aqueles compartilhados intensamente. Uma equipe de pesquisadores tentou se aprofundar no conhecimento sobre o caráter viral das notícias analisando o cérebro de diversos indivíduos. A conclusão é que a viralidade não depende tanto do conteúdo da notícia, e sim de nós mesmos: da imagem que queremos vender aos demais e de como ela ajudará a fortalecer nossos vínculos.

As notícias que mais ativaram essas regiões cerebrais eram também as mais virais do The New York Times

Para entender o funcionamento do cérebro ante as notícias virais, cientistas da Universidade da Pensilvânia realizaram dois experimentos com 80 pessoas, mostrando-lhes notícias do The New York Times, um dos jornais mais relevantes e de maior circulação nas redes sociais. Os participantes viam notícias de saúde, escolhidas entre as mais compartilhadas, segundo os próprios registros do jornal.Primeiro, eles liam o título e um resumo da notícia. Depois, deveriam responder se queriam lê-la inteiramente e compartilhá-la de forma pública ou privada entre seus amigos do Facebook.
Durante o experimento, os pesquisadores observaram que foram ativadas as regiões do cérebro associadas a dois processos mentais bem localizados. Por um lado, o pensamento sobre si mesmo, que poderia ser entendido aqui como a imagem que o ato de compartilhar a notícia poderia dar sobre o próprio sujeito. “A evidência indica que as questões autorrelevantes estão entre os temas de conversa mais frequentes, em especial nos meios sociais, e que revelar informações sobre si mesmo pode ser inerentemente gratificante”, explicam os autores do estudo, publicado na revista científica PNAS. “Através desse mecanismo neuronal, as expectativas de obter resultados positivos sobre si mesmo ao compartilhar [a notícia] aumentam o valor percebido da troca de informação, o que, por sua vez, incrementa a probabilidade de compartilhá-la.”

Ao publicar algo no timeline, ficamos expostos ao julgamento dos demais, apostando que isso ajudará a melhorar nossos laços e o que pensam de nós

Por outro lado, os pesquisadores observaram a ativação de uma região usada pelo cérebro para entender o que os outros estão pensando. Quem pretende compartilhar uma notícia deve considerar o que há na mente dos demais, seus conhecimentos, opiniões e interesses, para prever as possíveis reações de seu público. “Esse tipo de cognição social implica prognósticos sobre os estados mentais dos outros. Por exemplo, predizer o que eles podem pensar e sentir acerca da informação compartilhada e de quem a compartilha”, afirmam os autores. Assim, ao publicar algo em nosso muro, ficamos expostos ao julgamento dos demais fazendo uma aposta e uma profecia: eles vão gostar, e isso ajudará a melhorar nossos laços comuns e o que pensam de nós.
Além disso, as notícias que mais ativaram essas regiões cerebrais coincidiram com as informações que tiveram maior impacto nas redes sociais, compartilhadas milhares de vezes segundo os dados do jornal.
“As pessoas estão interessadas em ler e compartilhar conteúdos que conectam com suas próprias experiências, ou com o seu sentido de quem são ou querem ser”, disse em nota Emily Falk, responsável pelo trabalho e diretora do Laboratório de Neurociências da Universidade da Pensilvânia. “Compartilham coisas que possam melhorar suas relações, fazer com que pareçam inteligentes e empáticas ou mostrá-las positivamente.”
No caso das notícias virais, funcionariam ao mesmo tempo vários fenômenos já conhecidos. Por exemplo: uma das coisas que mais causam satisfação é compartilhar informações sobre nós mesmos, tanto em redes sociais como em interações convencionais. Também se sabia que as pessoas mais persuasivas, as que conseguem convencer melhor com sua mensagem, são as que têm mais desenvolvida essa capacidade de se colocar no lugar dos outros, de prever o que há na mente deles.
Os autores do estudo reconhecem que é muito abrangente o que pode ser pessoalmente relevante e útil para compartilhar entre pessoas distintas. Mas lembram que “as sociedades humanas se caracterizam por um conjunto de valores comuns e normais sociais básicas que promovem a conduta entre os indivíduos”. Como consequência, concluem, não é incomum que haja muitas notícias que possam ser percebidas por muitos como uma informação com muito valor, tanto para a imagem pessoal como para o sentido de pertencimento ao grupo.